domingo, 20 de janeiro de 2019

Você ainda mora naquele farol






Você ainda mora naquele farol, ainda mantém-se reclusa dentro do mundo criado por ti, talvez você tenha escolhido a forma mais dolorosa de cicatrizar feridas, já pensou nisso?, o isolamento por vezes cura mas outras tantas também corrói, sim, a vida nos prega surpresas e julgar dor alheia é atitude digna de pena, porém a escuridão na qual vives não será curada com mais escuridão, insistir nos olhos fechados e não respirar a vida é flagelação e não a libertação, eu sei que tudo tem o seu tempo e nesse momento você está apenas pedindo o seu, que sorrisos de meia-boca são somente lábios esticados e incontidos de emoção, a verdade do que o lado de dentro grita precisa ser compreendida, mas acontece que esse farol de paredes grandes e altas tem se tornado o seu presídio, o eco de suas longas escadas resgatam essas palavras que te afligem, os portões trancados trazem o nó pra sua garganta e pro seu peito, o barulho do mar e da vida contida lá fora te machucam, não é verdade? Respeite seu tempo, mas não faça dele a sua chaga, sua penitência, como algo que ficou pendente e que subverter remorsos seja a única atenuante. Levante o rosto e estanque as dores num esforço de vivacidade, não faça desse farol sua prisão perpétua, e sim o facho de luz que te trará novamente às suas margens.
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