domingo, 20 de janeiro de 2019

Talvez


 



Talvez eu não seja pra ti a personificação do amor ideal.

Talvez eu não entenda muito sobre horóscopo e meditação.

Talvez eu ainda cultive a mania de adotar palavras perdidas pelo tempo.

Talvez meus olhos castanhos tenham errado ao enxergar cores nos seus dias cinzas.

Talvez as rosas que colhi nos jardins de minhas saudades tenham germinado rápido demais.

Talvez os poemas que escrevi esbarraram em rimas vazias e frases desconexas.

Talvez o endereço dos meus sentimentos tenha mudado quando o carteiro bateu à minha porta trazendo toda essa minha dor.

Talvez meus pés tenham trazido das ruas as pegadas dos caminhos por onde fraquejei.

Talvez eu ainda guarde o vício de carregar nas costas os meus piores excessos. .

Talvez os versos desenhados em seus lábios seja uma compilação dos meus conflitos mais internos. .

Talvez aquilo que eu defendia como amadurecimento ainda faça pirraça e me insista colo. .

Talvez eu carregue comigo um peito dilacerado onde não se faz mais abrigo.

Talvez eu ainda feche os olhos quando percebo que estou amando alto demais. .

Talvez minha boca tenha chorado todas as salivas do nosso último beijo.

Talvez se eu atravessar noites em claro eu aviste por aí nossos últimos amanheceres.

Talvez, por ingenuidade ou algo bobo assim, eu ainda guarde certa fé no mundo e certa fé em mim.

Talvez, por licença ou rebeldia, eu remodele minhas palavras e te resuma de uma só vez tudo que ainda sinto aqui.

Perdoa.
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