domingo, 20 de janeiro de 2019

Pra onde vai o coração?





Eu fecho os olhos mas a alma grita, cubro-me de realidade e ainda sinto frio, olho para o horizonte mas avisto apenas escuridão. Tenho repetido diariamente que o tempo irá passar, que daqui a uns meses ou semanas estarei rindo disso tudo, mas acontece que o tempo está me cobrando um preço alto demais pra te levar embora, um preço que não posso pagar, e assim permaneço sustentando sua presença. O seu luto, eu sei, foi quase imperceptível, talvez essa seja a grande covardia do amor, desequilibrar as reações aqui de dentro, inflar o peito de um enquanto o outro se alimenta de migalhas, meus últimos dias resumem-se a tempestades, há um diluvio dentro de mim, um diluvio que insiste em me submergir, reviro sentimentos e recordo de quando ainda éramos felizes, de quando ainda éramos apenas um, eu sei que essas memórias de nada me servem além de fazer sofrer, mas é difícil não pensar onde eu tenha falhado pra que chegássemos a esse ponto, onde será que eu falhei?, minha cabeça dói, meu coração por vezes foge de meu peito por não enxergar mais abrigo, pra onde vão os corações que não suportam mais o amargo de um peito ferido? É estranho alimentar um sentimento tendo a certeza de não haver reciprocidade, é tudo muito embaçado e confuso, sabe lá Deus por que não me permito viver essa liberdade, não sei mais pra onde olhar, pra onde correr, pra onde sentir, procuro em meu interior a saída, mas na verdade eu gostaria apenas que você tivesse sido aquele meu poema de amor, onde o simples ato de rasgar ou tacar fogo te eliminasse de uma só vez de dentro de mim.
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