domingo, 20 de janeiro de 2019

Estes são os meus últimos dias dentro de ti






Estes são meus últimos dias dentro de ti, os últimos amanheceres sob seus olhos castanhos, o fim de todos os sorrisos trocados, o término dos olhares que tantos infinitos prometeram, desculpe se ao falar assim rasgo sua alma, mas a verdade é que meu peito anda saturado de tanto ter que encenar a felicidade, eu gostaria que tivéssemos sido um do outro não só no corpo mas também em espírito, talvez a culpa não seja sua, talvez procurar culpados seja demonizar o que de fato foi vivido, sinto que por algum momento fomos um do outro de maneira plena, e que passados esses dias eu tenha a serenidade de levar comigo apenas o que de bom ficou.

A maturidade desse meu peito calejado me diz que relacionamentos necessitam transparência, precisam ser límpidos, carecem de potabilidade, afinal um precisa beber do outro, e quando nos vemos perdidos nesse mundo que criamos, chegamos à conclusão de que cada um deve seguir o seu caminho, é preciso entender que os dias de amanhã nos trarão novos dias, que se entregar por completo  a alguém é dadivoso mas saber a hora de dizer adeus pode significar a liberdade, não aquela falsa liberdade, e sim a cristalina e descortinada sensação de que o mundo nos pertence e por mais que as dores nos tomem de moradia, os novos amanheceres tratarão de nos cicatrizar.

Querer conduzir à força uma relação onde delicadeza e adoração não são pilares, acredite, é de uma insensatez sem limites, por isso estes são os meus últimos dias dentro de ti, por isso nossos caminhos seguirão distintos, meu peito dói num misto de emoções, num contraditório entre o certo e o que machuca, talvez essa seja a chaga daqueles que não temem procurar o verdadeiro amor, talvez o certo seja entregar o amanhã no colo do tempo, esse deus que mais cedo ou mais tarde sempre surgirá, ora nos abrindo caminho, ora nos chamando de volta, e acho que dessa vez eu consegui reconhecer os seus sinais.

Te transformo em tempo, me transforme também. Sejamos o que realmente vivemos. Fique bem.
← Postagem mais recente Postagem mais antiga → Página inicial