domingo, 20 de janeiro de 2019

Acontece que uma hora as pessoas somem




Costumo ter a ingênua esperança de que toda reciprocidade se desenhará eterna, de que se até ontem alguém me sorriu e ouviu com atenção minhas gargalhadas e meus desesperos, ouvirá também sempre que a saudade bater e a noite seja como uma daquelas tantas que mereciam não ter fim.. .

Acontece que uma hora as pessoas somem, aos poucos o companheirismo cede lugar apenas às lembranças, as boas risadas tornam-se palavras frias e mensagens preguiçosamente respondidas, por que uma cumplicidade tão bonita se desinventa? Por que os bons momentos de ontem não podem se repetir hoje? Por que há de ter um fim?. .

Olho as fotos de quem tanto já me ofereceu ombro e tenho a impressão de recordar de alguém estranho, de alguém que parece se sentir bastante confortável em saber que aos poucos estou saindo de sua vida, e eu penso nessa imposição do destino, de tirar pessoas da nossa vida, embora me doa eu sei que não posso obrigar ninguém a ficar, a permanecer sob o cuidado dos meus olhos. Sim, é claro que isso faz sofrer, um sofrimento vindo do desinteresse, do desleixo, da pouca ou nenhuma questão da companhia.

Não minto, ainda guardo esperanças, anseio que amanhã a minha falta seja sentida e o meu telefone toque e alguém com uma voz bastante entusiasmada me chame pra uma mesa de bar pra resgatar finalmente o tempo, que me pergunte da maneira mais sincera "como andam as coisas?, perdoe o meu sumiço, a vida estava corrida mas agora estou de volta!", mas enquanto isso não acontece fico aqui, doendo de saudade de quem preferiu se vestir de esquecimento.
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