segunda-feira, 26 de junho de 2017

Você poderia me ter me beijado de todas as maneiras






Você poderia me beijar na boca coçando minha nuca, como é seu gosto, e eu retribuiria com um carinho leve do lado esquerdo da sua cintura, só porque eu sei que você se arrepia logo de cara. Você poderia me beijar o pescoço, passando a língua bem devagar e me gerar aquele transe de virar os olhos e saltar a alma. Você poderia me beijar o rosto pra logo em seguida mordiscar minha orelha, trazendo com o braço o meu corpo pra mais perto do teu. Você poderia me beijar com força e com a mão no meu pau, pra que assim recomeçássemos a desarrumar aquela cama que, só hoje, já tivemos o trabalho de arrumar duas vezes. Você poderia me beijar voraz e longamente, como se estivéssemos destruindo paradigmas, como se esse beijo fosse o marco maior de um acontecimento revolucionário, como esse quarto fosse a Champs Élysées em pleno Maio de 68, como se daqui a cem anos os livros lembrassem do nosso beijo como o ápice de um momento histórico. Sim, você poderia ter me beijado de todas essas maneiras; E de outras milhões também. Mas você me beijou a testa. Me beijou a testa e disse eu-te-amo em seguida. Nesse momento eu disse a mim mesmo  que sou o cara mais sortudo do mundo por ter a pessoa que mais entende de beijo. Como se lesse meus pensamentos, você levantou a cabeça e olhou nos meus olhos. E em seguida você sorriu.
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