sábado, 4 de março de 2017

Sobre quando olho pra ti





Enquanto eu puder te olhar terei a certeza de que viver vale a pena.

Entenderei que Deus criou os humanos apenas pra que se olhem de forma bonita um pro outro, e a multiplicação das espécies é apenas uma boa consequência dessa forma bonita de se olhar.

Cruzo contigo nos corredores e esboço um aceno simples, mas te conto toda a minha vida nesse único segundo em que trocamos olhares.

Se o destino se resumisse a algumas escolhas, eu escolheria te olhar por toda uma vida, e por toda essa vida eu me encantaria com o perfume de suas pupilas castanhas.

O que seria o amor senão um complexo e inexplicável calafrio de quando dois olhares se cruzam e logo de cara se reconhecem?

Nada seria, eles afirmam.

Às vezes tenho a impressão de que você lê meus sorrisos e por isso retribui, e se nesse exato momento um asteroide de proporções quase continentais e invisível à vista da ciência se chocasse com o planeta, eu diria, sereno como nunca antes: valeu pra cacete ter vivido até agora.

Abraço-te como quem abriga o último suspiro de vida, como quem depende dos seus seios ao meu corpo pra continuar a respirar, há apenas um sol acima de nós mas é como se fossem tantos, e assim eu desvendo que seu corpo também faz parte de mim.

Nesse momento eu te enxergo como quem enxerga o sentido da vida, e  sua alma está nua. Eu desenho em seus olhos a poesia mais triste e bonita, e sua vergonha está nua. Eu respiro seu corpo como cocaína, e sua dor está nua. Eu te amo como quem ama da forma mais sagrada e mais maldita, e você está nua.

Aponto para o céu e te mostro estrelas, e no meio de tantas, escolhemos uma pra batizá-la como nossa. Nessa hora meus olhos, meu corpo e  minha vida se entrelaçam a ti

Você desenha palavras em meus lábios e antes que as sussurre eu te respondo que sim, que as aceito. Que te aceito. Você não diz nada mas é como se me dissesse tudo. No final você sorri.





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