quinta-feira, 24 de novembro de 2016

E se o amor não fosse cercado de expectativas e dúvidas?





E se eu não tivesse quatro provas na semana seguinte e conseguisse ir àquela festa que você disse que iria?

E se eu tivesse viajado pra sua cidade naquele feriado que você me convidou?

E se eu não tivesse discutido com você por um motivo que nem eu sei ao certo se é verdadeiro?

E se? E se? E se?

Eis aí a frase mais mais fantasiosa - e dolorosa - num amor que não existiu. Ou existiu, mas ficou pelo caminho. 

Em tempos de aplicativos de encontros, de "te beijei hoje, amanhã não te conheço", de relacões fast-food e de, como diria o mestre Xico Sá, relacionamentos "fala sério", é compreensível nos flagrar recorrendo até às equações matemáticas pra resolvermos questões amorosas. 

Você está saindo com um cara legal, bom papo, coisa e tal. Tudo caminha pra um relacionamento duradouro, e eu sei que você já imaginou uma nababesca viagem pras Maldivas junto dele, pensou no momento de apresentar pra família e riu sozinha imaginando a primeira saída com os outros casais de amigos. 

E então vocês marcam de se encontrar naquele barzinho perto de casa, aquele que já se tornou o "de sempre", e tudo corre às mil-maravilhas. 

Mas no dia seguinte ele não te manda mensagem. Nem no outro, Nem no outro. 

Então você resolve quebrar o silêncio e manda um whatsapp. Ele demora um dia inteiro pra responder. É notório que a conversa não é mais a mesma. Ele está mais seco. Mais direto. Você propõe um cinema. Ele diz que vai ficar até tarde no trabalho. "Se der, outro dia a gente marca. Agora preciso trabalhar. Bjs". E assim, aos poucos, aquele encontro começa a se desenhar como o último de vocês dois. 

Danou-se.  

O que aconteceu? O que eu fiz? O que eu falei? 

E se eu não tivesse falado de religião? E se eu tivesse acompanhado ele no chope? Será que foi aquela discussãozinha boba na noite anterior?

E tome dúvidas em cima de dúvidas. Uma vontade agoniante de voltar àquele dia e refazer o detalhezinho que teria culminado no afastamento. 

Como se isso fosse adiantar alguma coisa. 

Amor nada mais é que destino. E destino nada mais é que um aglomerado de coincidências propositadas. Propositadas por sei lá quem, por Afrodite, Eros, anjo da guarda, teorias da conspiração... mas o certo é que há um quê e um porquê por trás de toda relação que se sustenta, que ultrapassa as briguinhas cotidianas, que consegue se firmar e perceber que, de fato, é amor. 

Tudo bem, eu sei que na teoria isso é lindo, e que na prática é necessário passar por cima de certas vontades e orgulhos, mas qual relacionamento não é assim? Qual relação não é sustentada pelo equilíbrio? Defeitos, brigas e contratempos ocorrerão aos montes, e se isso for motivo pra um dois dois desistir logo de cara, pode acreditar: não era pra ser. 

Decerto que a expectativa toma conta da gente quando notamos que algo pode dar certo, e no amor essa dose vem numa quantidade consideravelmente maior. E quando algo não caminha na direção que imaginamos, quando aquilo em que depositamos nossos anseios não dá certo, temos a cruel mania de imaginar como seria se fôssemos perfeitos e fizéssemos exatamente o que o outro deseja. 

Como se fosse possível viver numa redoma de um amor-perfeito. 

Assim são os relacionamentos. São feitos de tentativas. São construídos com confiança e afeto, por ele e por si mesma, primordialmente. E a única coisa que se exige em troca é o coração aberto. Estar disposta a encarar esses sentimentos humanamente bonitos e imperfeitos. Saber que existe alguém e que está por aí, em algum canto, um cara comum como tantos, que te aceitará e te chamará de "meu bem" na frente de tudo e de todos. E quando menos esperar, algo aí dentro perguntará pra ti: "e se você resolvesse viver esse amor pra vida inteira?". 





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