sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Hoje te escrevo, amanhã te odiarei




Você era a mulher mais linda que existia dentro de mim.

Até eu escondê-la em meu canto mais remoto.

Foi quando descobri que poderia omiti-la até em meus mais inóspitos excessos.

Menos debaixo de meus olhos.

Você, inutilmente, se esforçava pra nadar em minhas lágrimas.

E eu a olhava como quem não tem qualquer alternativa.

Restou-me afogá-la ainda mais.

Afogá-la das sobras de mim.


Você padece naufragada em meu mar salgado. 

Meus olhos fingem não te ver.

Enxergam qualquer uma, mas não você.

Seus suspiros ofegantes escorrem de minhas retinas.

Sua boca te embriaga com o que me dói.

Do alto de tua ironia, es um cisco encravado em mim.


Tua resistência vai se esgotando.

E agora, já sem ar, solto de vez da tua mão.

Você se afoga em minha profundez.

E toda aquela cena ganha vida em meu lembrar.

Enxergo-te, novamente, a mais linda de todas

A mais puta de todas.

A mais profunda de todas.

Seja bem-vinda ao meu último déja-vu.

Seja bem-vinda, meu amor.


Hoje te escrevo. Amanhã te odiarei.






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