quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Eu te enxergo perto, e você tão longe





Você levanta a sobrancelha quando passa por mim, e o nosso mundo é tão lindo.

É assim que você passou a me dirigir palavras. Palavras de sobrancelhas, palavras de olhos fechados, palavras que silenciam-me. 

Olhe nos meus olhos por eternos cinco segundos e diga que nada mais te vem à mente, pra que assim eu vá embora de ti de uma vez. 

Olhe nos meu olhos por eternos cinco segundos e diga que a minha falta te sufoca como quem toma, numa só, meia caixa de tarja-preta, e assim passaremos a entender o real sentido da vida. 

Olhe nos meus olhos. 

A partir do momento que minha presença for pra ti nada além de mera leviandade, esse livro se fechará. Esse livro de nossas palavras soltas e espalhadas sem qualquer regramento sumirá do mundo. 

O amor pode ser tudo menos um serviçal das vontades alheias. 

Eu tinha você e não fazia ideia de que na verdade eu não tinha nem a mim mesmo. Eu não tinha nem sequer o mínimo resquício de mim mesmo. 

E eu não sei o que diabos alguém pode ter quando não tem nem a si mesmo. 

Diga que você me encontrará e encontraremos a vida. 

Só nos falta perceber que a reciprocidade é a mãe de todas as verdades, e ressuscitaremos no peito do outro. 

Sim, eu falo de reciprocidade, falo de corações abertos, de sorrisos que ganham o mundo, de defeitos que não se escondem e de discos do Nirvana. 

Reciprocidade gera reciprocidade. 

Não sei se é ironia ou se Deus, por propósitos ou eufemismos, criou esse mundo assim, tão pequeno, simplesmente pra bastar eu fechar os olhos e te enxergar cada vez mais perto. 

Eu te enxergo perto, e você tão longe. 

Eu fecho os olhos e te enxergo perto, e você é tão longe.

Deus cochichou em meus olhos propósitos e eufemismos. 

Eu olho pra trás quando passo por ti, e o nosso mundo é tão lindo. 





Comentários 
← Postagem mais recente Postagem mais antiga → Página inicial