quinta-feira, 26 de maio de 2016

Dar e receber suas mãos






Ela gosta de colorir sentimentos em suas mãos.

Faz de suas unhas, espelhos de seus olhos. Floresce amanheceres em dias nublados e sonolentos. São luzes que perfumam sextas-feiras em preto-e-branco. São cores que se moldam em poemas dentro de si.

É como se ela possuísse o mundo na palma de suas mãos.

Como se o azul fosse os resquícios lá do céu. Um céu que, pra ela, nunca foi o limite.

Como se o amarelo pingasse versos em seus cabelos.

Como se o cinza a protegesse em seus momentos de concentração.

Como se o vermelho roubasse os lábios do seu sorriso. Ou despisse seu coração.

Suas mãos são seus segredos. São sua nudez. São donas de toda a força necessária pra transformá-la na mulher mais segura e decidida desse mundo. Mas também possuem a leve poesia de uma menina que brinca de esconder seus medos e incertezas.

 Às vezes ela se confunde. - é dor ou proteção? - A força do seu peito apertando o coração.

 Mas também sabe ser doce quando quando deseja, da maneira mais bonita desse mundo, despejar carinhos.

Quando repousa sua mão junto à minha.

Quando, timidamente, tenta esconder de mim a sua cor nova.

Quando me olha enviesada e se segura pra conter o sorriso.

Quando bate acarinhando. Quando faz careta mandando beijo.

Ela sorri como quem faz cafuné. Como se a cor de suas mãos fossem estrelas a apontar caminhos. E nela não há como existir escuridão.

Com ela sempre haverá manhãs. E manhãs de arco-íris, de passeios bonitos, onde o maior e mais importante desejo seja apenas dar-lhe as mãos.

Dar e receber suas mãos.





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