Teu colo

Ainda lembro. A grama verde oferecia passagem. Lembro do balé das folhas junto ao vento. Do suicídio das flores quando você passou. Dizem que as flores são invejosas, e naquela noite, haviam perdido o reinado.

Apenas palavras

Carregar em si o peso das palavras nunca foi remédio para a escuridão na linguagem.

A madrugada mais longa

Não, não havíamos planejado nada. Não prometemos confidências. Não oferecemos o branco das nuvens. Apenas sorrisos como quem diz ser amanhã.

Quando

. Quando as luzes não mostrarem os atalhos Quando os livros recolherem suas letras Quando os segredos se tornarem cochichos Quando o riso virar castigo...

Falsas mágoas

Relacionamentos nos obrigam a tomar decisões.Sensatas ou abruptas, no calor do momento ou na serenidade do sofá. Seja pra decidir a poltrona do cinema ou o hiato devido a proposta de trabalho no exterior. O amor nos testa com seu aglomerado de decisões.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Como resistir a um "dorme bem"?





E quando a madrugada já começa a ganhar forma, quando o assunto da conversa vai diminuindo e o despertador já avisa que amanhã é segunda-feira, quando é dada a malfadada hora de se despedir da donzela - oh! malditos compromissos do nosso humilde ganha-pão!, quando entupimos o whatsapp dela com emoticons fofos e coraçõezinhos coloridos, eis que ela nos dá o ultimato:

"Dorme bem".

Vou repetir bem devagar: Dorme-bem.

Sacaram, meus caros, toda a pureza e doçura contida nessa simples frasezinha?

Dorme bem  é cafuné das sílabas, é o abajur aceso que espanta os vultos da madrugada, é a história que a mãe contava pra dormirmos em meio à insônia.

Dorme bem é declaração de amor, é cobertor pros dias de frio, é travesseiro de penas de ganso, é perceber que nossa amada é carinhosa ate mesmo quando nos braços de Morfeu.

Que sorte a nossa...

Pode ter havido aquela discussãozinha chata de um fim de noite, a clássica DR, sentimentos à flor da pele, deixa disso, claro que te entendo. Mas experimente ouvir essas duas palavras ao final de todas as maledicências ditas. Nada mais fará sentido, senão a certeza de que ali estará seu amor eterno enquanto durar.

Dormirei, benzinho, dormirei como um anjo!

Sim, o sono das mulheres é a oitava maravilha do mundo, é o ápice divino dos sete dias de construção dessa Terrinha, e em virtude disso, de toda a onírica bossa-nova de seus desejos, elas fazem questão de que as acompanhemos também nesse momento de sono profundo. 

Ainda que a uns bons quilômetros da terra da garoa, salve Caetano: alguma coisa acontece no meu coração...

Como se tudo isso não bastasse, elas ainda dão uma maneira de deixar essa frasezinha ainda mais sentimental:

 "Dorme bem, tá?"

Aí não. Aí já é maldade.

"Dorme bem, tá?". Afinal, o amor nada é senão uma bela e lírica interjeição de concordância, a mais carinhosa das ordens, quase que um carinho atrás da orelha, por supuesto.

Meus caros, fujamos aqui do gramaticalmente correto, que de culta essa norma não terá nada, afinal pouco me importa esse gracioso deslize de conjugação verbal, afinal o bonito é o que vem da alma, certo?

"Durma bem".  A gramática de alta linhagem e o encanto na lata do lixo. Não quero saber de norma culta. Nem que pra isso seja necessário formalizar a expedição do nosso alvará de informalidades dos desejos bonitos.

"Durma bem" jamais! "Dorme bem", para a remissão dos pecados michaelicos e aurelianos.

Ah, minha querida, aguardo aqui diariamente o seu "dorme bem" que acalmará minhas noites em claro. Enquanto isso, vagando madrugadas afora, o eterno serveur Reginaldo há de me entender lá de cima: se eu pegar no sono, me deite no chão...





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