terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Seu poema está aqui [18+]






Era o início de mais uma madrugada. O vento passava forte, o céu ameaçava desabar, e uma noite fria de inverno e solidão já tomava conta de mim. Foi nesse retrato que seu rosto me sorriu,  e eu sempre soube que madrugadas são propícias pra subverter boas lembranças. Você voltou à minha mente depois de umas garrafas de cerveja, após o teor alcoólico amenizar meus pensamentos naquela noite triste, quando em dados momentos e em madrugadas vazias, as respostas, ainda que vagas, pareciam me contentar.

Então voltei o olhar  para aquela minha poltrona velha na frente da tevê, e foi como se eu te visse novamente ali largada, só de calcinha, me chamando de "meu poeta" e falando "quando que aquele meu poema vai ficar pronto, seu merda, você só me enrola!". Era bom te ver ali, de perna aberta, pouco se importando com a janela escancarada e de frente pro vizinho, com o calor dos infernos do Rio de Janeiro ou com a ressaca que tomava conta de nós dois. Você me penetrava com esses seus olhos castanhos, e de cara eu já entendia: queria ser penetrada também. Nessa hora não havia ressaca, crise econômica ou poltronas velhas que nos impedissem de nada. 

Sei lá, parece idiotice minha - e talvez realmente seja, mas é como se nesse pouco tempo, você tivesse criado lugar cativo aqui. É estranho rolar pro lado na cama e não e não ouvir o teu esporro: "Tu é folgado, hein?". Sim, faz falta essa tua brutalidade que se desarmava de prazer se ganhasse uma mordida no pescoço e uma puxada de cabelo por trás. Sinto saudade dessa tua boca que dividia comigo cervejas, baseados e beijos quentes. Sinto falta da tua bunda tremendo quando eu batia forte com a mão ou com o pau. Sinto falta desse teu suor escorrendo pelo meu corpo depois do gozo. Sinto falta de você batendo a porta e rindo, dizendo que nunca mais voltaria. Mas você voltava. Até que um dia cumpriu com a palavra. A essa altura deve estar numa outra cidade. E num outro bar. E esfregando a bunda em algum outro barbudo de sorte. 

A lembrança de ti ainda é boa. E o seu poema já está pronto, aqui comigo, cheio de putaria, do jeito que você pediu. Qualquer dia você aparece pra buscar. Ou o interpreta, de quatro, numa cama qualquer.






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