Teu colo

Ainda lembro. A grama verde oferecia passagem. Lembro do balé das folhas junto ao vento. Do suicídio das flores quando você passou. Dizem que as flores são invejosas, e naquela noite, haviam perdido o reinado.

Apenas palavras

Carregar em si o peso das palavras nunca foi remédio para a escuridão na linguagem.

A madrugada mais longa

Não, não havíamos planejado nada. Não prometemos confidências. Não oferecemos o branco das nuvens. Apenas sorrisos como quem diz ser amanhã.

Quando

. Quando as luzes não mostrarem os atalhos Quando os livros recolherem suas letras Quando os segredos se tornarem cochichos Quando o riso virar castigo...

Falsas mágoas

Relacionamentos nos obrigam a tomar decisões.Sensatas ou abruptas, no calor do momento ou na serenidade do sofá. Seja pra decidir a poltrona do cinema ou o hiato devido a proposta de trabalho no exterior. O amor nos testa com seu aglomerado de decisões.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Eu espero o seu tempo






Eu espero o seu tempo.

A pressa não fará parte de mim. A vontade de pular suas etapas passará longe. O desejo de te ter antes de que você tenha a ti mesma não me dominará.

Não olhe pra mim com medo de suas certezas. Confie nelas. Algumas de nossas certezas são sagradas. São cochichos de Deus em nossos ouvidos. Não há por que temê-las.

Foi por isso que escolhemos um ao outro. Por todas essas nossas pequenas particularidades. Sabia que todo amor é um amontoado de particularidades bonitas? E você tem as mais belas. Peço que jamais se esqueça disso.

Eu sei que às vezes a incerteza nos domina, aquele medo natural de não decifrarmos o que nos aguarda, talvez aí é que esteja toda essa magia que nos envolve. E o mais belo disso tudo são exatamente esses detalhes indecifráveis. É o que nos faz acreditar cada vez mais um no outro.

Todo amor tem seu tempo. E o seu tempo é o meu tempo. Isso significa que, juntos, temos toda uma vida pela frente. Temos o tempo de caminhar de mãos dadas, de dar risadas, de chorar também. Temos o tempo de apresentar nossas famílias, de planejarmos o futuro, de escolhermos o nome do cachorro e os padrinhos e madrinhas.

E seria uma enorme covardia minha impôr meu tempo sobre o seu.

Eu sei que um passado triste te fez ficar com o pé atrás. Sei que alguém não soube te tratar com o devido amor. E sei, acima de tudo, que certas dores necessitam de tempo pra cicatrizar

Repito: o seu tempo é o meu tempo.

Nessas horas todo um filme passa pela sua mente. "Será que ele não fará a mesma coisa? Será que a intenção dele é a mesma da maioria? Será que existem mentiras por trás dos olhos dele?"

Eu compreendo suas dúvidas e medos. E te respeito.

Não te despejarei palavras de efeito, poemas da internet ou presentinhos clichês. Não te ligarei nas madrugadas, nem mandarei mensagens inoportunas e invasivas. Não tentarei me fazer presente quando você necessitar apenas de si própria para encontrar as respostas de que precisa.

Mas estarei sempre ao seu lado se você precisar de um suspiro de alívio, de um sorriso verdadeiro e de uma mão pra proteger. Ou pra acarinhar.

Não me dê justificativas. Não subverta o que te machucou. Seu silêncio são minhas palavras. Seus olhos apequenados sabem falar a nossa língua. Sua boca é onde nos escondemos desse mundo.

O tempo mostrará as diferenças. Certos traumas somem sem que percebamos, e pra isso não há receitas secretas, nem feitiçarias. Basta apenas a vontade de fazermos moradia um no outro.

Eu espero o seu tempo.  Mas não solto da sua mão. 



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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Seu poema está aqui [18+]






Era o início de mais uma madrugada. O vento passava forte, o céu ameaçava desabar, e uma noite fria de inverno e solidão já tomava conta de mim. Foi nesse retrato que seu rosto me sorriu,  e eu sempre soube que madrugadas são propícias pra subverter boas lembranças. Você voltou à minha mente depois de umas garrafas de cerveja, após o teor alcoólico amenizar meus pensamentos naquela noite triste, quando em dados momentos e em madrugadas vazias, as respostas, ainda que vagas, pareciam me contentar.

Então voltei o olhar  para aquela minha poltrona velha na frente da tevê, e foi como se eu te visse novamente ali largada, só de calcinha, me chamando de "meu poeta" e falando "quando que aquele meu poema vai ficar pronto, seu merda, você só me enrola!". Era bom te ver ali, de perna aberta, pouco se importando com a janela escancarada e de frente pro vizinho, com o calor dos infernos do Rio de Janeiro ou com a ressaca que tomava conta de nós dois. Você me penetrava com esses seus olhos castanhos, e de cara eu já entendia: queria ser penetrada também. Nessa hora não havia ressaca, crise econômica ou poltronas velhas que nos impedissem de nada. 

Sei lá, parece idiotice minha - e talvez realmente seja, mas é como se nesse pouco tempo, você tivesse criado lugar cativo aqui. É estranho rolar pro lado na cama e não e não ouvir o teu esporro: "Tu é folgado, hein?". Sim, faz falta essa tua brutalidade que se desarmava de prazer se ganhasse uma mordida no pescoço e uma puxada de cabelo por trás. Sinto saudade dessa tua boca que dividia comigo cervejas, baseados e beijos quentes. Sinto falta da tua bunda tremendo quando eu batia forte com a mão ou com o pau. Sinto falta desse teu suor escorrendo pelo meu corpo depois do gozo. Sinto falta de você batendo a porta e rindo, dizendo que nunca mais voltaria. Mas você voltava. Até que um dia cumpriu com a palavra. A essa altura deve estar numa outra cidade. E num outro bar. E esfregando a bunda em algum outro barbudo de sorte. 

A lembrança de ti ainda é boa. E o seu poema já está pronto, aqui comigo, cheio de putaria, do jeito que você pediu. Qualquer dia você aparece pra buscar. Ou o interpreta, de quatro, numa cama qualquer.






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