segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Namore uma mulher que lhe deseje um bom apetite





Diz o velho ditado que é pela boca que se conquista o coração de um homem. Carrego minhas dúvidas, pois a entrega em domicílio e o drive thru continuam em alta. Eu faria uma adaptação. Diria que é pelo cortejo à boca que realmente se conquista o coração dos machos. Sim, refiro-me ao cinematográfico 'bom apetite!".

Bom apetite... Isso me lembra aqueles chefes de cozinha italianos, barrigudos e bigodudos com seus chapéus de mestre-cuca gritando 'Buon appetito!' para os fregueses da sua cantina. Ou então aquele gerente puxa-saco ao cumprimentar seu patrão na hora em que este está de saída pro almoço. Esse é o bom apetite eleitoreiro, que enxerga  o retorno, que facilita pra ser facilitado. Não me refiro a esse, e sim ao bom apetite quase que materno, àquele que vem com um sorriso de sobremesa, àquele que já não vemos por aí. O bom apetite genuinamente feminino. 

Ainda que não possua guardado as receitinhas da vovó. Ainda que não saiba discernir a panela de pressão de uma frigideira. Ainda que não saiba nem riscar  um obsoleto palito de fósforo e acender a boca de um fogão velho. A mulher que deseja 'bom apetite' pega o atalho dos corações famintos. 

Que mulher amada, essa que nos deseja bom apetite... É tão segura de si que é capaz de falar abertamente (e sem medo)  sobre o maior inimigo das mulheres midiaticamente complexadas: a balança. Sabe que somos devotos do seu  pneuzinho de bicicletinha infantil, doces aprendizes das primeiras pedaladas e tombos. O bom apetite não deseja controle, coleiras, e sim a pura liberdade, aquela liberdade sabida de todos os seus mais ternos bem-quereres.

O bom apetite da mais fina educação sem qualquer regra de etiqueta. Do chope e da picanha no lugar do caviar e da champanhe. Do bom apetite sem frescuras, sem aulas de francês, sem mentir a idade. Das palavras bem faladas, molhadas nos olhos, do biquinho mais sexy e natural na pronúncia dos dois tês. O bom apetite de desejar o bem sem olhar a quem, minha lady

Nunca pecará pela falta. Seu desejo não tem a preocupação demasiada de uma mãe nem a formalidade de uma nova namorada. Seu desejo é apenas desejar. Sua verdade é a mais simples e a mais clara. Seu desejo de cuidar é de mais pura família. São vontades plurais. A mulher não esperará uma resposta ao seu doce bom apetite. O bom apetite já é uma pergunta-resposta. 

E que mãe essa mulher será, meus amigos... Que mãe!

Imagino o prazer e o cuidado na amamentação, na fartura do seu mais sagrado alimento, das bochechas rosas e roliças de seus rebentos. Zelosos sentimentos maternos aguardam essa cuidadosa mulher, altruísta por essência, aflorando sua vontade de cuidar de tudo e de todos. Apetitoso esmero de amiga, mãe e companheira fiel.  

Mulheres que desejam bom apetite: multiplicai! Aos milhares, aos milhões! E olhai pra este desiludido cronista...








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