sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Carta aberta a esses homens frouxos






Olha, o que tenho visto por aí não é brincadeira não. Parece piada, e antes realmente fosse, mas não passa da mais crua realidade. Que esse homens moderninhos estão cada vez mais babacas, isso já não é nenhuma novidade. Que andam fugindo de relacionamentos sérios como o capeta foge da cruz, todo mundo já sabe. Mas daí acharem que nós, mulheres bem resolvidas e donas de si, estamos à mercê de suas vontades e caprichos infantilóides, já é demais. E põe demais nisso. 

A impressão que tenho é a de que todo homem pensa que as mulheres buscam um príncipe encantado em cada esquina. Devem imaginar que passeamos por aí suspirando, inebriadas de amor como nesses textos românticos que viralizam na internet ou como na "Malhação" na época que prestava. Parece até que andamos com uma placa pendurada ao pescoço, dizendo "Procura-se um namorado urgentemente!"

Meus caros, lamento informá-los, mas estamos muito, muito longe disso. 

Senhores machões inveterados, saibam de uma coisa: os tempos são outros. Assim como vocês, também gostamos de pegar sem se apegar. Também sabemos aproveitar a solteirice da melhor maneira, e aquele ditado "solteira sim, sozinha nunca!" apenas retrata uma verdade. Diferentemente do que imaginam, estamos longe de cair de quatro por vocês quando se utilizam das maneiras mais tolas e supérfluas pra chamar nossa atenção. Não nos levem a mal, mas não há como segurar uma risada irônica e debochada - até com um quê de pena - diante das estripulias financeiras babaquinhas de vocês. E o que é pior: acham que nos impressionam! Saibam que isso nada revela além de uma personalidade fraca e uma cabeça vazia. 

Entendam o seguinte, muitas vezes nós queremos exatamente a mesma coisa que vocês: uma agradável noite de diversão. E se terminar em sexo, melhor ainda. Gostamos tanto quanto os homens, a única diferença é que não banalizamos. Dá pra entender? As coisas têm mudado, essa onda que vocês pensam que tiram ao mostrar fotos nossas pros amigos, acompanhado de um sonoro "Peguei!" não é nada além do que fazemos também. Talvez com uma certa delicadeza, pouco ou nada interessadas em números, e sim no conteúdo, na diversão e no prazer. Não pensem que imaginamos altar, véu e grinalda enquanto vocês dão risada após uma noite de sexo. Onda por onda, também sabemos tirar. 

E se no final das contas rolar um química, uma conexão de ideias, uma cumplicidade entre os corpos, que pecado há? Existe algo de errado ou de ruim nisso? Uma mensagem carinhosa no dia seguinte, um simples "Tudo bem?" é tão capaz assim de ofender a teatral imagem de machão-que-não-se-apega-a-ninguém? Percebem que não falo sobre nada de outro mundo, né? É o mínimo a se fazer depois de toda uma intimidade. Garanto que não imaginaremos nenhuma paixonite aguda da parte de vocês.

Ter vontade de encontrar novamente com alguém que te fez bem é algo ruim? Tratar com afeto uma pessoa que despertou em ti sentimentos bons é ser piegas? 

Ora, senão pra isso, pra quê viemos ao mundo? 

Caros machões, muitas de nós desejam, sim, um relacionamento firme e duradouro, e isso é digno, é bonito, é humano, nada tem de vergonhoso ou de ruim. Mas deliram se pensam que há todo um desespero como no tempo de nossas bisavós, como se uma mulher solteira fosse algo que indignificasse. Diria até que, diante dessas atitudezinhas de meninos-babões, estamos muito melhores na companhia das amigas, de uma boa noitada e de uma cerveja gelada. Continuem babacas e medrosos, pois nós continuaremos de copo cheio, sorriso no rosto e camisinha na bolsa.

Desse donjuanismo barato que vocês tentam encenar, saibam: a máscara já caiu. E como todo produto falso, se espatifou.








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