segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Pra quê se contentar com amores pela metade?





Entender o amor não é tarefa fácil. Nunca foi. Desafio quem consiga, e caso comprove farei votos de que escreva o livro mais vendido de todos os tempos, que ganhe milhões dando consultas amorosas e candidate-se à Presidência dos Estados Unidos.

Mas em certos momentos não precisamos ser especialistas pra reconhecermos se é amor ou não. Melhor: não há necessidade de ser nenhum expert pra enxergar uma certa discrepância de sentimentos entre duas pessoas. Alguém doando-se como quem já imagina igreja lotada e "Whisky a go go" tocando na festa de casamento. Há algo de errado nisso? É óbvio que não, estranho é quem nunca parou pra pensar em futuro quando diante de alguém que te completa de todas as maneiras. O problema ocorre quando a outra pessoa não está no nosso mesmo nível de amor, se assim pode-se dizer. Em alguns casos não se trata nem de má índole nem sacanagem, e sim de dúvidas que um relacionamento de alguns anos não foi suficiente pra sanar. Resumindo, o ponto de interrogação ainda mora atrás dos sorrisos fáceis dele, entende?

Há também o caso onde a pessoa reconhece essa diferença, e ao meu ver, falo agora do pior estágio de um amor-fantasia: o comodismo. Que pode ser mútuo, inclusive. A relação não é mais a mesma, e isso você já nota não é de hoje. Mas vá lá, são mais de três anos juntos, um terço do seu guarda-roupa já está na casa dele, sua sogra adora mostrar fotos de quando ele era criança, o irmãozinho pequeno faz festa quando você chega, e até àquele basset de latido estridente você já está apegada. Além disso, você não faz sexo menos de três vezes na semana e não está nem um pouco interessada em diminuir essa margem. Então passa a alimentar uma falsa sensação de que tudo pode mudar, que aquelas alegrias dos primeiros meses voltarão, é só uma fase turbulenta, ainda que já esteja há mais de um ano nessa. E a tendência, me perdoe a sinceridade, é seguir ladeira abaixo.

Mas não precisamos ir tão longe pra percebermos essa falta de sintonia. Aquela pessoa que surgiu do nada na sua vida, já foram incontáveis encontros e você passou a enxergar nele o cara certo. Porém não é difícil notar que as trocas de mensagens já diminuíram, os programas de fim de semana caíram na mesmice, a cumplicidade em contar os problemas e ouvir palavras de incentivo e conforto já não são mais tão frequentes. E se olharmos de uma maneira mais fria, nota-se que tudo tem se resumido a sexo. Não que isso seja ruim, mas quando os dois sabem exatamente o que desejam e procuram um no outro. Não estou exigindo nenhum príncipe montado em cavalo branco, apenas tentando evitar o que mais pra frente será certo: alguém saíra magoado dessa "brincadeira", e não há dúvidas de que será aquele que mais se entregou.

A verdade é que o amor é equilíbrio. É buscar sempre a mesma sintonia, ou algo muito próximo disso. Não há como manter uma relação onde um é cem por cento entrega e o outro está apenas a passeio. Não há como querer levar à frente um relacionamento onde as mãos dadas não fazem mais tanta importância, onde as palavras e gestos de afeto cederam lugar à rotina de um namoro empurrado-com-a-barriga. Não dá. Não há como ser meio-termo no amor. Não dá pra ser amado pela metade e se contentar. Que seja inconstante, brega, com umas briguinhas aqui outras ali, mas que seja única e verdadeiramente amor. 

Só se contente com amores plenos. Quase-amor ainda é solidão.






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