sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Algo ou muito ainda entendo sobre o amor





"Eu te amo sem acreditar em mim." Foi o que repeti depois de despir-me de tua pele, com a porta e janelas do nosso mundo entreabertas, um vento frio que nos varria com uma força que não permitia-me adormecer. Olhei pra ti e exatamente em teus olhos verdes me enxerguei. Eu era você refletida em mim.

Como pode o amor resumir-se à mera reflexão de nossos corpos?

Como pode o amor ser aquilo que nunca poderíamos ser? 

Havia uma penumbra, ainda existia a presença um do outro, o cheiro um do outro, ainda existia as verdades e as mentiras um do outro. Meu amor, acredite, eu sou o que você agora enxerga, sou o que a vida chama de destino preparado pra nós dois. O amor define-se por indefinições, compreenderei seus medos e incertezas  quando desejar bater a porta. Não há como negar: outros dias chegarão. Se tenho alguma certeza nessa vida, a certeza é apenas essa, de que outros dias chegarão e aqui continuaremos. Afinal, a vida nos revela certas verdades, e você foi e continuará a ser cria dessas revelações.

Ainda temos muito a nos descobrir,  a nos interessar, a nos odiar, a nos contemplar. Digo isso sem medo de amanhãs, digo por tudo que já passamos e por o que há de nos surgir. Não há dúvidas de que nos conhecemos suficientemente  bem a ponto de não temermos certas intempéries desses dias correntes, a mim não importa as circunstâncias desse nosso amor dissimulado e destemido. O acaso não nos dita regras. O acaso é apenas um e você não é apenas única, você é o diferencial daquilo que defino entre vida e morte. 
 
Teus olhos verdes sentem o gosto de nossos corpos desavergonhados e crentes  um do outro. Seu vestido é preto e fino e pouco esconde tua pele; nada comento, mas reparo em ti como se você fosse a derradeira sobrevivente de uma guerra ao retornar ao lar depois de sabe lá Deus quanto tempo. Olhar-te me faz pedir perdão por algo que não faço ideia do que seja, mas decerto que a vida resume-se a um amontoado de perdões, e nessa estatística estamos incluídos. Meu bem, te peço: feche os olhos e abrace minhas semanas, meus meses e minha vida. Embora eu saiba que sentimentos frágeis não deveriam fazer parte de nós, sei também  que somos um muro de titânio quando juntos. Desafiamos pré-conceitos quando temos nossos corpos colados. Somos abrigo contra a fria brisa que ainda nos invade pela porta e janelas entreabertas, e eu te protejo com toda a verdade que ainda resta em mim. Protejo-te com a clara e sincera certeza de que algo ou muito ainda entendo sobre o amor. 






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