Teu colo

Ainda lembro. A grama verde oferecia passagem. Lembro do balé das folhas junto ao vento. Do suicídio das flores quando você passou. Dizem que as flores são invejosas, e naquela noite, haviam perdido o reinado.

Apenas palavras

Carregar em si o peso das palavras nunca foi remédio para a escuridão na linguagem.

A madrugada mais longa

Não, não havíamos planejado nada. Não prometemos confidências. Não oferecemos o branco das nuvens. Apenas sorrisos como quem diz ser amanhã.

Quando

. Quando as luzes não mostrarem os atalhos Quando os livros recolherem suas letras Quando os segredos se tornarem cochichos Quando o riso virar castigo...

Falsas mágoas

Relacionamentos nos obrigam a tomar decisões.Sensatas ou abruptas, no calor do momento ou na serenidade do sofá. Seja pra decidir a poltrona do cinema ou o hiato devido a proposta de trabalho no exterior. O amor nos testa com seu aglomerado de decisões.

sábado, 15 de agosto de 2015

Gosto da sua maneira de prender o cabelo




 
Gosto quando você prende o seu cabelo com uma caneta.

É como se oferecesse palavras aos seus fios. Como se a nuca fosse seu papel em branco. São poesias penteadas em seus castanhos. São versos que escorregam de suas mechas. Há todo um desbravar poético. Há toda uma simplicidade de prosa. A caneta abraça seus cabelos com uma sincera cumplicidade. É notório. É verdadeiro. É você sendo pura e absolutamente você mesma. É como se desejasse continuar os contornos de sua tatuagem atrás da orelha. Como se ofertasse flores e nuvens e liberdade. E toda uma leveza tão singela e apenas tua. 

Você prende suas mechas num balé das mãos. Numa  dança visualmente harmônica. Você fecha os olhos. Por que você fecha os olhos? Deve haver ali algum ritual guardado a sete chaves e há mais de séculos. E você é conhecedora desses segredos. Tem todo o direito. E observá-la neste ato é meu prazer. Esforço-me para ler as palavras que você escreve no ar enquanto desenha o penteado. Naquele momento a caneta ganha poderes divinos. Transcende toda e qualquer regra ou intenção. Não existe leis nesse mundo criado por você. A única obrigação é admirar-te, mas te admiro sem qualquer obrigação. E nesse momento sou feliz pra sempre. É um instante sem fim. É um pedaço de você que insisto em carregar comigo. 

Então você se ajeita olhando no espelho. Naquele espelhinho que você carrega seja lá pra onde for. Tem todo o cuidado, seja com um coque ou com um habilidoso rabo-de-cavalo. Você tem suas vontades e eu as aprecio. Faço-me teu espelho  e te reflito dentro de mim. Faço-me tua nuca e poetizo você aqui. E brinco de catar conchas por entre seus fios castanhos. Você é de uma maneira que eu gosto de definir como "perfeita harmonia".  Você se descreve por suas nuances, eu a leio através de seus gestos bonitos. 

Você prende seus cabelos e  o mundo segue a girar normalmente, dizem. Mas tenho lá as minhas dúvidas. E tenho meu mundo particular, também. E você faz parte dele. Uma das sete maravilhas do meu mundo particular é admirar a combinação dos seus brincos com o coque. É a combinação mais despretensiosa e mais fiel que poderia haver. Como se aqueles poucos fios ajeitados atrás da orelha fossem testemunhas. Mais: fossem cúmplices. Como se a caneta fizesse seus cabelos de refém e exigisse-te por toda eternidade. E a mim, meu bem, a mim cabe te observar. E num suspiro de sorte ou de puro destino, versar a ti a minha mais sincera poesia. 



 
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