Teu colo

Ainda lembro. A grama verde oferecia passagem. Lembro do balé das folhas junto ao vento. Do suicídio das flores quando você passou. Dizem que as flores são invejosas, e naquela noite, haviam perdido o reinado.

Apenas palavras

Carregar em si o peso das palavras nunca foi remédio para a escuridão na linguagem.

A madrugada mais longa

Não, não havíamos planejado nada. Não prometemos confidências. Não oferecemos o branco das nuvens. Apenas sorrisos como quem diz ser amanhã.

Quando

. Quando as luzes não mostrarem os atalhos Quando os livros recolherem suas letras Quando os segredos se tornarem cochichos Quando o riso virar castigo...

Falsas mágoas

Relacionamentos nos obrigam a tomar decisões.Sensatas ou abruptas, no calor do momento ou na serenidade do sofá. Seja pra decidir a poltrona do cinema ou o hiato devido a proposta de trabalho no exterior. O amor nos testa com seu aglomerado de decisões.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Nosso final foi feliz




Passei em frente àquele café e lembrei de você. Olhei para a mesa no canto esquerdo, que naquele dia estava decorada com um vaso de azaléias, lembra? Você rindo da minha cara quando notei que eram flores de plástico, você disse já ter percebido antes de mim e eu duvidei, então ficamos naquela discussãozinha boba e gostosa, que apenas serviu de pretexto para rirmos à vontade um do outro. Sim, eu sei, não podemos negar: foi bom.
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E foi a partir dali que o nosso filme voltou-me à mente, os leves sorrisos e as boas risadas, tudo sem exigências, sem alarmes, apenas aproveitando aquilo que chamávamos de "nossa brincadeira". Aqueles momentos não serviam para que impuséssemos nada um ao outro, mas muito nos desfrutamos, não é? Não havia nada entre nós que incitasse algum tipo de cobrança, mas quando juntos, fomos um do outro de maneira plena e integral, concorda? Ah, querida, que bom poder dizer que soubemos nos amar de forma honesta um com o outro! Que satisfação é ter apenas lembranças boas e dignas de ti! E são lembranças estas das mais fieis. Tão fieis que me vêm à tona juntamente com uma vontade de bater um papo agora com você, como fizemos diversas vezes enquanto bebíamos chope em Copacabana, lembra? E rimos muitas vezes também. Recorda de quando o mar estava de ressaca e uma onda quase nos puxou, com barraca e tudo? E quando passamos um pouquinho da conta na bebida e voltamos pra casa abraçados e cambaleantes? Era um tempo bom, é verdade. Certa vez imaginamos uma viagem a dois para as Ilhas Maldivas assim que o dólar baixasse. Até o roteiro chegamos a traçar! E quando olhamos um simpático fusquinha azul  à venda e fantasiamos uma volta pelas praias do Nordeste com ele? Ah, éramos estudantes! E se faltava dinheiro no bolso, havia uma enorme vontade de merecermos um ao outro.
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Ali, parado em frente àquele café, olhei para a mesa vazia onde conversamos pela última vez, e despertei em mim uma saudade de ti. Uma saudade meio inexplicável, meio nostálgica, mas com muito de uma absoluta e intensa verdade. Não há do que reclamar: fomos autênticos. Nossa história teve um final. E esse final foi feliz. Obrigado, querida. Muito obrigado por tudo. Fica bem.






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