sexta-feira, 24 de abril de 2015

A beleza em observá-la enquanto dorme





Minhas amigas, acreditem neste cronista sonhador que vos escreve. Podem pôr a mão no fogo. Garanto a vocês: os segredos que  norteiam uma mulher enquanto dorme são incontáveis.
 
Nada é mais lindo do que observá-la enquanto tira aquele cochilo no sofá de casa ou durante o sono noturno, por aí vamos. 
 
É o cinema criado por Deus. Com direito a pipoca e poltrona reclinável, inclusive. É um best-seller de cabeceira. E se há algo de bom naquela desventurada insônia, tá aí. Acordar de madrugada e vê-la no seu mais que merecido repouso. Ir ao banheiro, à cozinha, e quando retornar ao quarto, dar de cara com ela toda encolhidinha naquele lençol fino e um tanto transparente, cabelos no rosto, em uma plenitude consigo mesma que beira o angelicalismo. É a epifania mor. E se essa for a consequência das minhas noites em claro, torcerei para que a madrugada seja compassadamente vagarosa.  
 
E então ela vira um pouco pro lado. Coça a cabeça. Estica os braços. Às vezes resmunga, instintivamente, duas ou três palavras quase impossíveis de entender. E daí? O segredo não está no entendimento, nunca esteve, o segredo está nela de uma forma plena, está na tentativa de decifrar o que estaria sonhando, no cuidado em cobri-la ou diminuir a potência do ar-condicionado quando sente frio, está em observar sua tatuagem na nuca aparecendo aos poucos, enquanto os cabelos escorrem para o lado que ela acabou de se virar.
 
Apesar de toda essa beleza, tenho que admitir: às vezes precisamos interpretar um vilão de suas noites de sono e de sonhos. Ah, que crueldade essa dos homens quando as acordamos do seu belo descanso, quando fazemos o papel do despertador, aquele maldito objeto que temos vontade de espatifá-lo na parede. Despertá-la pra mais um dia de trabalho ou pra que não se atrase àquele compromisso. Que injustiça, meu Deus. Que vontade de deixá-la ali, deitadinha, no repouso dos braços de Morfeu, mergulhada em oníricos desejos, recebendo o cafuné dos anjos. 
 
E o que dizer sobre quando dormem assim, do nada, na sala de aula, no ônibus, num consultório médico? Os óculos entortando no rosto, aquela posição pouco confortável, não importa, é um sono justo, justíssimo, eu diria, e quando despertam, ficam a matutar: "Nossa, o que será que pensaram de mim, largada ali naquela poltrona, roncando e babando?"  Pensamos maravilhas, por óbvio! Pensamos o quão humanas e o quão dedicadas são, seja aos estudos, à família, aos objetivos traçados, e é aí que repousa a beleza da vida, nos mais graciosos descuidos e nas reações mais triviais e verdadeiras pelo simples fato de  serem elas mesmas.  
 
Digo e repito, pra que não haja quaisquer dúvidas e pra que ecoe aos quatro ventos: Nada é mais bonito do que uma mulher enquanto dorme. Nada. Nadinha. 




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