quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Das coisas que tenho pensado





Trancado em minha própria escuridão, encontro-me em meio aos feitiços da fria bruma das madrugadas. Eu ao redor de mim. Reflito meus desejos e vontades sendo o que jamais imaginaria ser. As paredes negras da noite confidenciam-me pensamentos que vagueiam sem destino, encurralam-me pelas estradas que me ajudam a descobrir se ainda estou no caminho traçado por mim.

Minhas verdades soam obscuras. Labírínticas, provocam o estrondo do mais denso silêncio. As verdades são vontades. Vejo-me fechado, claustrofóbico, estico os braços na tentativa de alcançar aquilo que está a milhas de mim. Digo com as palavras mais sujas as mentiras mais bonitas. Enxergo em meus olhos o dissabor de quem se entrega mais uma vez sem saber se ainda há caminho. 

A penumbra da noite é falha. Percorre inóspitos caminhos em busca de sua própria luz. Em vão. Nos espaços dentro de mim, a procura torna-se desencontro. O caminho sempre foi perdido. Dizer que sim é negar verdades. Correr por esse mundo inteiro é camuflar-se. É olhar ao redor e não enxergar gente. E não enxergar nada. E acostumar-se assim.

Anoiteci ao mergulhar na solidão. Nas tempestades que me surgem enfáticas. Trancar-se dentro de si é tecer retalhos em verdades nebulosas. A escuridão é tão distante quanto discreta. É tão menina quanto mulher. Mutila desejos, trapaceia ao nos apontar o único e inatingível facho de brilho.

Sim, tenho pensado nisso. E lembro de quando já estive em luz, mas, sem perceber, tranquei minhas portas. E ao notar-me sem saída, mergulhei e adormeci nos meus mais íntimos medos, até quando, não sei.  






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