quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Da arte mais ingênua de seduzir um homem





Ah, os detalhes femininos, aqueles que passam escondidos pelos olhos destes homens cada vez mais desatentos...

Aquelas minúcias simples e arrebatadoras. Quando a mulher se mostra bela justamente por não fazer ideia de que está se mostrando.

Um pecado, essa distração masculina. Pecado mortal, como aprendi na minha primeira comunhão.

Caros amigos, mudando de mar mas não de oceano, pergunto-vos: será que é possível apontar o mais belo dos detalhes femininos?
 
Sim, eu sei que são muitos. Uns mil. O mais cavalheiro dirá que não há neste mundo ao menos um detalhe que não soe como encanto aos olhos dos machos. E ele está coberto de razão.

Mas vamos lá, sem querer causar polêmica, este reles observador das nuances femininas que vos escreve tem o seu hors concours nesse assunto.

O mais belo dos trejeitos. A apoteose de tudo que pode ser mais ingênuo e mais devasso.

A mulher deitada de bruços com os pés pra cima. Pronto, falei.

Convenhamos: há algo nesse mundinho de meu Deus que supere uma cena dessas?

Não, não há. E não tentem me convencer do contrário.

Independente do biotipo ou do jeito de ser. Se é alta, magra, gorda, se é a timidez em pessoa ou a reencarnação de Carmen Miranda. Toda e qualquer mulher nessa posição despertará o mais adormecido dos desejos masculinos.

É sério.

Ela ali, deitada na cama, olhando com a cara mais sacana desse universo. Sim, ainda que passe longe de ser sua real intenção, ela sempre te olhará da maneira mais provocativa. Seja por pura vontade de entregar logo de cara seus segredos ou simplesmente por agir da maneira mais natural do mundo.

Seja assistindo tevê, tomando o café-da-manhã, ou até nos dando uma bronca. Despeje-me bravatas de todas as formas, amore mio, deitadinha assim, qualquer sermão torna-se a mais leve bossa-nova.

E quando elas resolvem nos pedir?

Balançando os pés,  mirando-nos com aquele sorrisinho mais que saliente, elas nos pedem o mundo, e nós, simples machos hipnotizados por essa feitiçaria, não sabemos dizer não. Somos capazes de entregá-las não apenas um mundo, mas sim um universo inteiro embrulhado pra presente.

E o que dizer do clássico dos clássicos, "Lolita", quando Dolores, deitada na grama úmida, lê inocentemente sua revista, molhada pelo irrigador e pela mais secreta libido masculina, absolutamente desligada das acontecências mundanas? Um suspiro, um mergulho nos remotos desejos Nabokovianos, traduzindo tudo o que há de mais ingênuo e mais lascivo nesse fatalismo feminino.

Mas não apenas de inocência e candura essa bela pose sobrevive. Vide Pulp Fiction, Uma Thurman deitada com abajur à meia-luz, cigarro e pistola às mãos. A mais genial das violências de Tarantino, seja jorrando sangue script afora, seja arrancando nosso coração com aquele salto-agulha que Mia Wallace balança da forma mais arrebatadora  que possa ter havido naquela Los Angeles dos anos 90.

Ela deitada de bruços e balançando as pernas. Balançando e fazendo soprar em mim a brisa das transparências dos meus desejos e amores platônicos, pensamentos ao longe... 






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