terça-feira, 22 de julho de 2014

Confidências de um ex-amor.






Ainda guardo boas recordações daqueles dias. Mesmo que tenha sido apenas a nossa primeira troca de olhares, sempre tive a sensação de que já corremos juntos e felizes feito loucos pelos corredores do Louvre, tal como no filme do Godard. Coisas de outras vidas, entende? Acreditar  no amor que não faz rodeios, que se mostra sem vergonhas e sem medo. É assim que eu gosto de definir o momento em que você surgiu pra mim.

Eu, que achava que o amor  não me olhava mais. Que eu era mais amiga do que mulher. Quando apenas aconselhava e não recebia mais conselhos. Ali, com você, tive minha essência resgatada. Fizemos o nosso mundo, e que nele caberiam apenas nós dois, nada que pareça egoísmo, apenas uma maneira de nos guardarmos de tudo e de todos. Uma ilha feita exclusivamente  para apreciarmos girassóis. Um país inteirinho pra que você me dissesse coisas bonitas. E eu retribuiria com coisas bonitas também. E uma vitrolinha bem antiga pra que dançássemos embalados pela castanha poesia de nossos olhos entrelaçados.

Faço de conta que você está aqui, agora, juntinho de mim. Sim, isso me dá um certo conforto. Um certo conforto misturado com um quê de não entender bem o porquê, ainda que as respostas sejam por demais cristalizadas. Você aí e eu aqui, separados pela ironia desse debochado destino. Talvez isso tudo seja um simples desabafo, talvez algum resquício de culpa. Você sabe, mulheres carregam consigo os mais ocultos segredos. Sei que a vida nos prega surpresas. Sei também que jamais recomeçaremos. Mas se ainda estivéssemos naquela noite fria e bonita daquele inesquecível agosto, na metade daquela taça de vinho, à meia-luz, sob a bênção da lua cheia e ao som de John Coltrane, acredite, ainda aguardaria aquele beijo teu. Eu juro.






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