terça-feira, 11 de março de 2014

Eu acredito em amor de carnaval





Eu acredito em amor de carnaval.

 Acredito naquele amor que nasce na folia, no ápice do bom humor, na descontração dos olhares. Aquele amor que soa tão despretensioso à primeira vista, que deu início através de uma simples troca de sorrisos ou das mãos que se esbarraram na multidão. Eu acredito. 

É um amor contestado, esse amor de carnaval. Alguns dizem ser até utopia. Mais extinto que  os dinossauros, mais lendário que saci-pererê. Um amor que não se encontra por aí, que não cruza as esquinas e não frequenta as mesmas filas de banco e pontos de ônibus. Um amor cronometrado, feito encanto daqueles com hora pra acabar. 

Aos céticos no amor carnavalesco, digo-vos: enganam-se!

Desfrutar dessa época tão aguardada e no fim ainda sair com um novo amor. Por que não? De onde inventaram essa impossibilidade? Carnaval é puro bom humor, é sorriso no rosto dia e noite, é encontrar e ser encontrado, e nesse ponto o amor é rei, é onipresente, não se esconde, apenas fantasia-se pra não ser notado com tanta facilidade. 

Perceber que por trás daquela máscara está o mais desmascarado e escancarado amor. No embalo do trio e dos blocos, um amor embalado a nossa espera. Um amor que já  começa na felicidade, sem a  preocupação do agrado de um primeiro encontro, sem a etiqueta de uma formalidade. Um amor que se entregou, sim, em uma época propícia, pois sabe que passada a folia, não há nada mais doce e aconchegante que um colo cheio de carinhos.

Um amor de carnaval que não virará cinzas na quarta-feira, que se agigantou, que escolheu a alegria da folia pra juntar os dois pombinhos, que lindo, e que a distância será apenas mais um atrativo, mais uma pimenta no reencontro. Um amor de carnaval que será um amor de dia dos namorados, de Natal, de réveillon, quiçá um amor de carnaval pro resto da vida. 

Entregar-se sem pensar no amanhã, onde quer que estejamos e quando for. Um amor de carnaval é declarar-se da maneira mais bonita, é uma nobre prova de amor, é rir das coincidências, afinal o mundo é um moinho, cantava Cartola, embalando romances de carnaval vida adentro. 

Sim, eu acredito em amor de carnaval. Afinal, o amor é não é uma fantasia?






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