domingo, 15 de dezembro de 2013

Aquela canção






Aquela canção que lembra nós dois...

Aquele som que começa a tocar do nada, no churrasco, na esquina, no táxi...

Aquela música tão dois pombinhos...

Pode ser a pessoa mais séria e centrada do mundo. Pode estar na reunião que decidirá a sua vida. Se o malfadado camelô coloca a bendita música no último volume, o som adentrando ferozmente aquela sala... não negue, meu caro, tremerá na base.

Não fique constrangido caso essa música seja um pagode mela-cueca, um tecno-brega, um funk. É válido, corações partidos não fazem distinções ao subverter lembranças.

"Ah... telefona por favor... Tô morrendo de saudade..."

A lembrança dos bons momentos, das  horas passadas juntos, das festas, confraternizações, das brigas que terminavam em puro amor também, por que não?  Volta tudo, é o passado rebobinando a fita dos sentimentos escondidos, quase moribundos, que retornam ao som de uma simples batidinha musical.

Ainda que tenha atirado o vaso do flores na cabeça dele, que não tenham chegado às vias de fato por mero acaso do destino, basta  ouvir a famigerada melodia  pra pensar: bons tempos...

Sim, bons tempos, pois a música não trará à tona lembranças desconfortáveis, música não serve pra isso, ela varrerá e encontrará o único resquício positivo que tenha existido naquele peste.

E se tudo foi uma maravilha, um conto-de-fadas, que beleza, só esticar a rede e ligar o som  pra receber o cafuné das lembranças...

Ou se foram épocas de galho, de ter que abaixar a cabeça pra passar por algumas portas, não se grile, coloque a música baixinho e curta essa dor que dizem por aí  que é uma dor que não dói...

O amor musicado, saudosista, no ritmo de nossos antigos romances, tão íntimo, tão nosso, ainda que o futuro não traga de volta, dance comigo nesse ritmo, amore mio...

  




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