domingo, 5 de agosto de 2012

Menina à beira-mar





Chorava diante do mar. Chorava sem pedir consolo, sem desejar a piedade das ondas que, comovidas, vinham beijar seus pés. Apenas escondia-se em sua reclusão, desejava afogar-se dentro de si.

Buscava respostas que surgiam confusas, não apontavam atalhos. Viu. Viu mas não quis acreditar, viu com a dúvida das suas pálpebras mas com a certeza do seu instinto mais feminino. O passado recente viera à tona, projetou futuro, entretanto a vida não ofereceu segunda chance. Eram sonhos de alguns anos que ainda desmoronavam, ela se esforçava pra apagar aquela dor, mas tamanhas são as coincidências dessa vida... Viu o que não queria ver.  Entregou-se à bruma da noite.

Era simples o seu gesto de choro, de complacência à lua que a observava, aquela lua que de tantos amores foi madrinha, naquela noite oferecia seu colo, e ela chorava de maneira singela, sem escândalos, sem desejar afagos. Saturava seu próprio corte. Chorava por amor, pela dor que teimava em sangrar.

Distanciou-se do grupo com quem estava. Pediu apenas a bênção do mar, deram por sua falta, eu a vi caminhando sozinha, mas nada disse, guardei seu segredo e, confesso, me emocionei. Foi tão sábia em caminhar na direção do mar, quem mais a ouviria com tamanha atenção?

Molhou os pés nas ondas. Batizou-se nas areias umedecidas, olhou pra lua e pediu respostas, a lua que a ouviu com toda atenção de mãe, que apontava para o infinito, vaga e displicente pra quem olhava de fora, mas tão cheia de carinho com aquela menina.

Retornou para junto dos demais. Sorriu aos seus amigos.

 




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