domingo, 17 de junho de 2012

Quando





Quando as luzes não mostrarem os atalhos
Quando os livros recolherem suas letras
Quando os segredos se tornarem cochichos
Quando o riso virar castigo
Quando a perda resultar isolamento
Quando a chuva molhar nossas verdades
Quando não enxergarmos mais a poesia
Quando o mar beber seu sal
Quando o eterno anunciar o fim do dia
Quando a timidez não for mais o seu segredo
Quando as nuvens desfizerem nossos olhos
Quando as folhas não brincarem mais com as árvores
Quando rir tão alto não for pura ternura
Quando perdermos o perdão de tão ingênuos
Quando sua mão não for mais meu melhor colo
Quando a violeta cobiçar espinhos de rosa
Quando a chuva minguar a nossa música
Quando nossos olhos não mais dançarem
Quando o vento não soprar dentro de mim
Quando sua boca não sorrir bonito assim
Quando a dor for amizade
Quando o cor for falsidade
Quando sua distância não lembrar o que é ser casa
Quando o dia for ainda mais dia pra esconder a filha lua
Quando a noite for ainda mais noite pra nos manter na escuridão
Ainda lembre-se de mim.
Estou cansado, meu amor.
Estou muito cansado.








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