Teu colo

Ainda lembro. A grama verde oferecia passagem. Lembro do balé das folhas junto ao vento. Do suicídio das flores quando você passou. Dizem que as flores são invejosas, e naquela noite, haviam perdido o reinado.

Apenas palavras

Carregar em si o peso das palavras nunca foi remédio para a escuridão na linguagem.

A madrugada mais longa

Não, não havíamos planejado nada. Não prometemos confidências. Não oferecemos o branco das nuvens. Apenas sorrisos como quem diz ser amanhã.

Quando

. Quando as luzes não mostrarem os atalhos Quando os livros recolherem suas letras Quando os segredos se tornarem cochichos Quando o riso virar castigo...

Falsas mágoas

Relacionamentos nos obrigam a tomar decisões.Sensatas ou abruptas, no calor do momento ou na serenidade do sofá. Seja pra decidir a poltrona do cinema ou o hiato devido a proposta de trabalho no exterior. O amor nos testa com seu aglomerado de decisões.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Apenas palavras




Carregar em si o peso das palavras nunca foi remédio para a escuridão na linguagem.

Deposito toda a minha força nas palavras. Faço delas as minhas mechas de Sansão. Não inicio um assunto sem antes calcular a temperatura e o frescor das sílabas. Costuro palavras sobre o sal do mar. Rio e gargalho das minhas palavras. Mar é o gargalo das minhas frases. Poesia sob ameaça de extinção em distinção a qualquer ponto final. 

Permito que as palavras me expressem, que digam por elas as minhas transparências. Arrasto pela vida o piano dos seus significados, entrego às minhas palavras as verdades mais límpidas, as descrições mais condizentes, a realidade mais distante de qualquer máscara.
.
As linhas me conduzem, me fazem de refém, despejam suas verdades enquanto me finjo de desentendido. Minhas letras são meu único espelho. Minhas frases são meu perfume quando minha linguagem é o céu dos olhos.  Apontam os sentidos. Desfazem as fraquezas das respostas para que eu enxergue através da caneta, pra que eu enxergue pelos olhos da linguagem, pela visão aguçada da linguagem. Deito e aguardo o "boa noite" que cai sobre meu telhado no temporal das sílabas, das madrugadas dentro de mim. 

A palavra é quando me confesso. É o meu sacerdote. Minha beatificação no banho de água-benta da gramática. Sacrifiquei a intimidade de diário. Poesia também é intimidade. No destaque de mim mesmo, nas pernas frágeis das letras. Nas janelas de toda poesia, faça noite ou faça dia, seja chuva ou seja sol, na lua que derrama seu mar sobre mim. Eu, cárcere de minhas letras. 

Não confundo mais a vida com as palavras. Misturo-as. Transformo meus dias em páginas de uma fábula. Mergulho em mar de sílabas, tomo sopa de letrinhas. Minhas palavras eu escrevo em linhas tênues. Em linhas tortas. Procurei demasiadas respostas em minhas próprias perguntas, fechei meus olhos e minhas mãos quando encarei a fria noite da linguagem.

Perdoei minhas respostas. Afinal, tudo não passa de palavras. Apenas palavras.






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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

As verdades mais simples



Nada de você me diz a verdade.
verdades são todos os nossos limites
na nossa vida os momentos mais tristes
dizem que o infinito é uma chance de errar.

Tens em mãos minhas mentiras
espelhadas em suas esquinas
na forma e momento de estar
na beleza de qualquer outro olhar
nos cheiram infinitas verdades de amor.

Apontam o instante do nosso encontro
o que não encontro em nenhum outro ponto
naquele momento um cheiro de luar.

Até as verdades mais simples
transbordam alegrias em cores
no profundo silêncio aos amores.
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