Teu colo

Ainda lembro. A grama verde oferecia passagem. Lembro do balé das folhas junto ao vento. Do suicídio das flores quando você passou. Dizem que as flores são invejosas, e naquela noite, haviam perdido o reinado.

Apenas palavras

Carregar em si o peso das palavras nunca foi remédio para a escuridão na linguagem.

A madrugada mais longa

Não, não havíamos planejado nada. Não prometemos confidências. Não oferecemos o branco das nuvens. Apenas sorrisos como quem diz ser amanhã.

Quando

. Quando as luzes não mostrarem os atalhos Quando os livros recolherem suas letras Quando os segredos se tornarem cochichos Quando o riso virar castigo...

Falsas mágoas

Relacionamentos nos obrigam a tomar decisões.Sensatas ou abruptas, no calor do momento ou na serenidade do sofá. Seja pra decidir a poltrona do cinema ou o hiato devido a proposta de trabalho no exterior. O amor nos testa com seu aglomerado de decisões.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Quero ouvir de você




Quero ouvir de você as verdades mais descabidas. Quero ouvir de você as mentiras que nos servem também. Quero ouvir de você os caprichos e os dramas que mais nos unem em um só amor. Quero ouvir de você a canção mais brega e simples, aquela canção que mais lembra você. Quero ouvir de você os seus olhos de menina nervosa e de mulher mais doce. Quero ouvir de você os seus sonhos mais lindos e os pesadelos mais tristes, para que neste você devore o meu colo. Quero ouvir de você as ausências mais sentidas e todos os momentos de minha companhia única e a mais sublime. Quero ouvir de você os passos que me dão o maior susto de tantas alegrias. Quero ouvir de você o mais quente inverno e o verão rodeado de folhas secas. Quero ouvir de você as vaidades, as mais graciosas vaidades. Quero ouvir de você o seu ponto fraco que me aponta o rumo. Quero ouvir de você a dança mais bela dos seus cabelos quando assoprados pelo vento. Quero ouvir de você o seu cheiro mais natural e mais feminino. Quero ouvir de você o barquinho de papel que nos levou tão longe. Quero ouvir de você a poesia tão simples e tão nós dois. Quero ouvir de você o seu "meu bem" das palavras mais doces. Quero ouvir de você as nossas mãos dadas que apontam lá pra detrás do céu. Quero ouvir de você o seu primeiro e eterno beijo, o beijo mais rápido e o mais demorado, o beijo único que é todo seu. Quero ouvir de você as brincadeiras mais infantis e as mais puras. Quero ouvir de você aquele momento mais devagar de coração mais acelerado. Quero ouvir de você o seu jeito mais carinhoso de menina feliz. Quero ouvir de você o nosso ensurdecedor silêncio naquela madrugada de paz. 






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sábado, 10 de dezembro de 2011

A menina que lia o livro





Eu vi a menina que lia o livro sentada no banco dos fundos, como se desejasse esconder-se de tudo e de todos. Ela  lia o livro e eu tentava lê-la através de alguma transparência. 
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Suas mãos eram delicadas e cuidadosas no manuseio, pouco abria as páginas no intuito de preservar o livro como novo. Não queria amassos e dobraduras. Lia como quem troca confidências, como quem revela segredos. Suas mãos seguravam o livro de maneira zelosa como mãe que carrega o filho. A menina não virava as páginas, a menina fazia carinho nas folhas, massageava as palavras, fazia cócegas nas letras. 

A menina lia o livro e eu tentava à toda maneira descobrir qual era o Autor. Minha visão não alcançava com clareza, e ela lia com um semblante simples e benévolo, não desejava atenções, e aquela minha súbita e egoística curiosidade poderia atrapalhá-la. Que desejo mais indigno, esse o meu, de perturbar a leitura daquela menina, que lia de forma tão singela, não se preocupando com o murmúrio ao seu redor, e ajeitando de maneira delicada os cabelos quando o vento teimava em bagunçá-los. Ela lia o livro e eu não tinha a menor intenção em incomodar, e me contentei em observar ao longe, o  que ainda assim me fazia um certo bem.

Prendia-se  na leitura e esboçava reações, deixando transparecer um sorriso leve e tímido, e eu imaginava que estivesse lendo alguma história de amor, afinal histórias de amor têm dessas coisas, essas reações triviais e marcantes, como se ali nos encontrássemos, como se ali desejássemos nos encontrar, pra fazermos daquilo algo pra sempre, pra transformarmos em eterno tudo aquilo que é terno.
 
Ela lia o livro e eu aguardava o momento de me aproximar e dizer que também gostava daquele autor, que poderia indicar outros bons livros, e descobrirmos que temos um milhão de coisas em comum, que o que nasce através dos livros são as coisas mais lindas, que sua companhia seria algo agradável, porém o acaso não me ofereceu coincidências. A menina que lia o livro se perdeu de mim. Perdeu-se dos meus olhos pra se encontrar nas palavras.  






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