sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Mulher sozinha





Ela não busca nada além de uma felicidade qualquer. Deseja trovoar manhãs. Deseja se alimentar dos sorrisos de quem ela alimenta. Deseja chorar o choro dos olhos de quem chora por ela. Procura por esse mundo o que é seu por direito e necessidade. Cansou do acaso. Deseja caso. 

Reza toda noite, desculpando-se de suas entregas. Penitencia-se por desejar amor demais onde a esperança já lhe deu as costas. Sofre, mas sofre em silêncio. Sofre pra si, trancada dentro de seu peito, dentro de seus arrependimentos, dentro de seus medos. Cobre-se de toda sua coragem despejada em tão tênue sentimento, que por espinhos da vida não se tornou seu harém de pétalas.

Ela procura nas frases as brincadeiras da poesia.

Procura na conversa alta o seu beijo de  "durma bem". 

O que a difere das outras mulheres? 

Considera-se diferente, incomoda-se com quem incomoda seu mundo. Não será qualquer um que desabotoará seus orgulhos, orgulhos de mulher que contracenam e contradizem com as intenções de quem se aproxima. Não é pecado, é receio. Receio de um resquício de sorriso culminado em imaturas verdades ou veementes mentiras.

Não que lhe faltem tentativas. Torna-se a mais bela da noite, arruma-se de maneira leve e delicada, passeia pelos olhos de quem a olha e a alguns esboça sorrisos. Dança como quem ali não está, porém atenta a todo movimento ao seu redor. Dentro de si ela busca amor, mas sabe que prefere ser buscada. Deseja amor por coincidências, pois coincidências são alicerces da eternidade.

Ela busca no outro o que não encontra em si. Ela busca no outro, não encontra, e ri.

Retorna pra casa na espera do agora. Leva consigo as incertezas de uma  noite. Dorme  o sono de quem se arrepende de tentativas, de quem aguarda o inesperado, de quem não espera os segredos das manhãs, tamanhas são as surpresas dessa vida.






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