Teu colo

Ainda lembro. A grama verde oferecia passagem. Lembro do balé das folhas junto ao vento. Do suicídio das flores quando você passou. Dizem que as flores são invejosas, e naquela noite, haviam perdido o reinado.

Apenas palavras

Carregar em si o peso das palavras nunca foi remédio para a escuridão na linguagem.

A madrugada mais longa

Não, não havíamos planejado nada. Não prometemos confidências. Não oferecemos o branco das nuvens. Apenas sorrisos como quem diz ser amanhã.

Quando

. Quando as luzes não mostrarem os atalhos Quando os livros recolherem suas letras Quando os segredos se tornarem cochichos Quando o riso virar castigo...

Falsas mágoas

Relacionamentos nos obrigam a tomar decisões.Sensatas ou abruptas, no calor do momento ou na serenidade do sofá. Seja pra decidir a poltrona do cinema ou o hiato devido a proposta de trabalho no exterior. O amor nos testa com seu aglomerado de decisões.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Do início de um namoro





Início de namoro beira a reencarnação. A reencarnação ainda em vida. Uma dupla-vida, uma esquizofrenia por doação.

Ah, o início, como se tudo fosse um filme, ainda com o musical ao fundo, ainda anunciando o elenco, ainda dando os créditos ao seu criador ou ao seu cupido. O momento em que tapamos o canto da nossa visão pra centralizarmos unicamente no recém amado, ainda no cordão umbilical. O medo de segurar no colo, de machucar qualquer parte daquele tão sensível e delicado feto de amor. 

Pouco importa como veio e de onde veio. Está à sua frente, novinho, aquele amor pelo qual você tanto produziu-se pra atraí-lo, que tanto via interpretado por Richard Gere (guardadas as devidas proporções, per favore), que tanto ouvia nas canções de Chico, que tanto lia nos versos de Vinícius. Encontra-se hipnotizada, e isso é muito justo. 

O amor e seus reflexos.

Que chova granizo e granito. Pouco importa, não haverá tempo ruim. 

O cara reagirá com graça ao atraso de 40 minutos da donzela. "Estava ajeitando a franja!" Mais do que justificado. 

Ela achará fofo a mania que ele tem de usar a calça na metade da bunda. Ouvirá seu rock pesado como se fosse o mais lírico canto.   

Ele aceitará prontamente a ideia de um jantar romântico no restaurante japonês, por mais que o treiler de X-tudo à frente lhe seja muito mais atrativo.

Ela saberá de cór a escalação completa do time dele. Incluindo os reservas. 

O primeiro programa a dois, obviamente, é o cinema.

Nada mais romântico e carinhoso.

O cinema é o batismo do amor. É a primeira comunhão de qualquer relacionamento. 

Casais, façam-me o favor, comprem apenas um saco de pipoca!

Não é pão-durismo. Tampouco regime. É puro pretexto para o enlace. Pura necessidade de estarem mais juntos que quaisquer outros daquela sessão. De manter as mãos atadas como se tentassem formar uma única mão. Para encostar a cabeça no ombro do outro em uma cena romântica. Para se abraçarem em um momento de terror. 

Mulher, pode convidá-lo pra assistir a Almodóvar ou Woody Allen. Até mesmo uma comédia romântica. Garanto que ele não fará cara feia. 

Homem, não irá titubear se levá-la a uma sessão de "Jogos Mortais" ou "Velozes e Furiosos". Ela lhe abrirá um sorriso. 

Início de namoro nada mais é que a busca pela intimidade. Intimidade é fazer sala para as manias, reverter os contratempos, debochar das intempéries. Intimidade é saber driblar as siglas que, mais cedo ou mais tarde, hão de surgir.

É manter o relacionamento sempre acima da DR.

É entender um momento de TPM.

É nunca recorrer ao SOS.

A intimidade não se entrega a quem não cede. Porque ceder sempre foi beber do outro.

Casal que cede mantém a sede.






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