quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quando ela chora




Chorou como quem dá adeus ao corpo.
Chorou da maneira como um vaso seco chora.
Da maneira como um vaso seco sem flor chora.
Chorava por quê, mulher?
Seus olhos vermelhos demoravam a cicatrizar.
Suas bochechas escorriam desesperanças.
Chorava de tanto que se recriminava.
Chorava de tanto que se absolvia.
Chorava por quê?
Não imagino a mulher chorando por outro motivo senão amor.
Pela falta de um amor
Pelo excesso de um amor.
Pela distância de um amor sempre presente.
Por estar perto de um amor, porém ausente.
Chorava sem medir lençóis, sem disfarçar traços.
Chorava como quem se libertava.
Chorava como quem implora prisão.
O que dizer a uma mulher que chora?
Mulher pede colo ao seu próprio choro.
Não procura respostas. O choro torna-se sua certeza.
Homens não entendem por que as mulheres choram.
Nem deveriam.
Mulheres choram quando querem conversar com Deus.
São sabidas de seus atalhos.
Egoísmo? Negativo. Fidelidade.
Mulheres são fieis ao seu choro.
E eu observava o choro daquela mulher.
Chorou até o momento em que não aguentou e parou de chorar.
Secou a lágrima como quem sente vergonha.
Olhou pro lado com receio de suas verdades.
Não temas, mulher.
Sua lágrima é sempre doce.
Sua lágrima é redenção.
Sua lágrima é água benta.
Sua lágrima constrói perdão.
Chore pra nos batizar.
Chore pra recomeçar.
Chore, mulher. Chore.






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