sexta-feira, 13 de maio de 2011

A lua e eu




A noite não é mais criança. Virou mulher. Guarda segredos. 

Noite bela é a noite enfeitada pela lua. 

A Lua é a minha simpatia. O meu voto secreto. Minha adoração camuflada entre as estrelas. 

A lua pede que a decifremos. É lasciva, nos tira pra dançar. Oferece-se aos poucos. Diferente do sol, egoísta, soberbo sabedor de seus poderes. 

O Sol desfila como o verão, imponente feito seus domínios. É sempre citado por sua grandiosidade. Mas eu prefiro os mistérios da menina lua, que nasce tímida trazendo consigo a noite, que é pura reverência aos seus encantos. 

O sol pode até ser o astro-rei. Mas a lua é a princesa. E convenhamos, a princesa é a mais charmosa do reino.

Acanhada, desliza sobre o mar, que a reflete como mulher que se olha no espelho, contemplando-se. O mar é seu admirador secreto. Tem na lua sua paixão de infância. Faz suas vontades, repousa-a em seus braços quando cheia, fazendo com que se espreguice como mulher acariciada. Deita sobre suas àguas e adormece quando ninada. 

A Lua não tem orgulhos. É faceira. Dá-se à contemplação e embala romances. Sempre estará no meio de dois amores, jamais sendo intrusa. É a madrinha dos que se entregam ao verdadeiro amor. É o cinema feito por Deus. Não cobrará ingressos porque se sustenta com sorrisos.

Apesar de distante, a lua permite que a alcancemos. Deslizamos em suas crateras feito criança em parque de diversão. Não se incomoda se registrarmos por ali nossa passagem e nossos amores por toda eternidade. 

Eu marco o meu nome na lua. Marco o nosso nome na lua. Finco minha bandeira e, orgulhoso, exibo ao mundo inteiro. A lua permite e não faz cerimônias. E  assim passamos a noite juntos, lua e eu, revestindo-a de todo encanto de quem já se sabe bela mas não faz rodeios. Entrega-se.  






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