Teu colo

Ainda lembro. A grama verde oferecia passagem. Lembro do balé das folhas junto ao vento. Do suicídio das flores quando você passou. Dizem que as flores são invejosas, e naquela noite, haviam perdido o reinado.

Apenas palavras

Carregar em si o peso das palavras nunca foi remédio para a escuridão na linguagem.

A madrugada mais longa

Não, não havíamos planejado nada. Não prometemos confidências. Não oferecemos o branco das nuvens. Apenas sorrisos como quem diz ser amanhã.

Quando

. Quando as luzes não mostrarem os atalhos Quando os livros recolherem suas letras Quando os segredos se tornarem cochichos Quando o riso virar castigo...

Falsas mágoas

Relacionamentos nos obrigam a tomar decisões.Sensatas ou abruptas, no calor do momento ou na serenidade do sofá. Seja pra decidir a poltrona do cinema ou o hiato devido a proposta de trabalho no exterior. O amor nos testa com seu aglomerado de decisões.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Passeio masculino





Transitam deslumbradas. Não fazem cara feia. Sentem-se como se deitadas no sofá de casa. Seus olhos enxergam feito olhos de águia, não perdendo um só movimento. Tornam-se poderosas e complacentes na mesma proporção.

Conversam entre si, exibindo e analisando seus novos pertences. Algumas apenas andam por andar, e passam diversas vezes à minha frente. Desfilam suas bolsas e seus filhos. Aguardam sem um ai de reclamação. Passeiam sorridentes, ora apressadas pra não perder a sessão de cinema. Tornam-se suscetíveis. Desabrocham. Afloram gentilezas.  Não querem saber de estresse, tampouco olham pro relógio. O tempo passa a não ter mais tempo.  

É lugar de amor de adolescência, de primeiro beijo, de primeiro passeio sem os pais.  

Apenas observo. Torno-me espectador da deslumbrante peça que nem ensaiada foi, tamanha sabença de sincronismo. 

Não fazem pouco da presença masculina. É lugar de olho no olho, de encontro, de acasos e de portas abertas. É faculdade masculina. O momento de decifrá-las sem a necessidade de mapas inintendíveis. Não estão em si. Encontram-se hipnotizadas. É a hora de pegar o atalho, de dar o pulo do gato. Os risos são mais fáceis. A vitrine torna-se seu espelho e seus olhos as refletem em mim, despindo suas carências.
.
Os homens pecam quando fazem careta ao acompanhá-las. Preferem bater o ponto e sair logo após. Passam a ser malcriados quando fazem pouco de suas companhias. Negam o passado. Não entendem. Dizem ser desnecessário. Jamais compreenderão tão aguçado faro. Algo quase que instintivo. Pobre deles. 

Comigo não. Aguardarei feito Buda. Carregarei suas bolsas sem medo de olhares atravessados e cochichos maldosos. Estarei blindado, pois elas me abrirão sorrisos. As mulheres sentirão ciúmes  daquela  que tem um homem que carrega suas bolsas. Desfilará orgulhosa. É o passo a frente dos demais. Um certeiro contra-golpe. 

Despacharão ternuras com a devida recompensa. E é a mulher quem entende de recompensas. 

Não compreendo como o homem rejeita um passeio no shopping.







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sexta-feira, 13 de maio de 2011

A lua e eu




A noite não é mais criança. Virou mulher. Guarda segredos. 

Noite bela é a noite enfeitada pela lua. 

A Lua é a minha simpatia. O meu voto secreto. Minha adoração camuflada entre as estrelas. 

A lua pede que a decifremos. É lasciva, nos tira pra dançar. Oferece-se aos poucos. Diferente do sol, egoísta, soberbo sabedor de seus poderes. 

O Sol desfila como o verão, imponente feito seus domínios. É sempre citado por sua grandiosidade. Mas eu prefiro os mistérios da menina lua, que nasce tímida trazendo consigo a noite, que é pura reverência aos seus encantos. 

O sol pode até ser o astro-rei. Mas a lua é a princesa. E convenhamos, a princesa é a mais charmosa do reino.

Acanhada, desliza sobre o mar, que a reflete como mulher que se olha no espelho, contemplando-se. O mar é seu admirador secreto. Tem na lua sua paixão de infância. Faz suas vontades, repousa-a em seus braços quando cheia, fazendo com que se espreguice como mulher acariciada. Deita sobre suas àguas e adormece quando ninada. 

A Lua não tem orgulhos. É faceira. Dá-se à contemplação e embala romances. Sempre estará no meio de dois amores, jamais sendo intrusa. É a madrinha dos que se entregam ao verdadeiro amor. É o cinema feito por Deus. Não cobrará ingressos porque se sustenta com sorrisos.

Apesar de distante, a lua permite que a alcancemos. Deslizamos em suas crateras feito criança em parque de diversão. Não se incomoda se registrarmos por ali nossa passagem e nossos amores por toda eternidade. 

Eu marco o meu nome na lua. Marco o nosso nome na lua. Finco minha bandeira e, orgulhoso, exibo ao mundo inteiro. A lua permite e não faz cerimônias. E  assim passamos a noite juntos, lua e eu, revestindo-a de todo encanto de quem já se sabe bela mas não faz rodeios. Entrega-se.  






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