sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O amor não entende nada sobre nós





Você pega o amor e desfaz. Desmembra. Segue a bula. A forma de usar. Enlatado, plastificado, inconfundível. 

Amor não caminha ao léu. Carrega seguidores. Não dá um passo sem metamorfoses. Abstrai mentiras escancaradas. Meticuloso, sufoca reações. Amor abre passagem para o sorvete no shopping nas tardes de domingo. É  sabido. Entende que acaso vira caso em um bater de asas. E dizem que amor não é passo à frente. Enganam-se!

Se for gentil vira amor. Se verdadeiro, é amor artesanal. Cínico? Amor bruto. O romântico é amor literal. Todos tão pueris quanto folha que dança ao vento. E qual amor não é pueril? Temo por um amor que não conheça da infância. Que não recorde dos oito anos de idade. Aponto para aqueles que, inexoráveis, tornam-se descrentes de um amor eternamente infantil. Desaparecem rígidos e irredutíveis aos olhos de quem finge não enxergar. 

Mas aí você fecha os olhos e ama. E ama mais. E se atira. Diz não ter fim. E todo amor que não tem fim é pura linha do horizonte. Não entende de razões, de espelhos, de página virada e café quente. E projeta futuro enquanto o passado ainda assombra. Tudo o que mais queres é uma vida inteira de amor, enquanto leva-se uma vida inteira pra entender o que é amor.

O amor não é ninguém. Amor é qualquer um. Pro amor todos deduzem, todos debocham, todos denotam. O amor é um lascivo eufemismo. Transforma-te. Atrai e a trai.

O amor é desmascarado. É frente a frente. É tudo que colocar sobre o papel. É basicamente o que não tem nada de básico. Não dizemos nada sobre o amor. O amor não entende nada sobre nós. Esse é o medo. Essa é a alegria. Somos nós dois. Todos os lugares. Lugar algum.










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