quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Aos seus pés






Sou admirador de um belo par de pés femininos.

Não tem jeito. Se me sentir atraído, escorregarei minha visão por todo o seu corpo até chegar quase ao chão. Sem qualquer pudor. Praticamente um peão de obra. Só disfarço após suntuosa análise.

Mas vamos com calma. Não pretendo passar a imagem de um podólatra psicótico. Minha admiração por essa parte da anatomia feminina passa longe de lambidas e chupões em meio a leite condensado e morangos. Não ganhará status de massagem erótica, tampouco sentirei prazer ao receber pisadas e esmagadas enquanto me faço de tapete. Minha admiração é em plano geral, quase na visão de um especialista. Pura estética.

É pelo pé que a mulher se revela vaidosa. Ora, quem cuidaria de um parte do corpo feita apenas pra nos sustentar? Quem pensaria em tratar da nossa parte mais naturalmente castigada? Os homens? Que as bolhas e calos parecem fazer parte do corpo desde o nascimento? Que ignoram o crescimento de unhas nos pés e passam meses sem cortá-las? Os mesmos que os apertam em chuteiras amarradas até a canela? Não mesmo. As mulheres são verdadeiras feiticeiras. Apertam seus pés em sapatos bico-fino pra depois surgirem como se sempre andassem descalças. Equilibram-se em saltos-agulha, mas a unha sempre bem feita. Seus pés são seus manuais, e os leio com toda atenção.

No shopping, passam horas escolhendo calçados. Aguardo com toda a calma. Faço meus minutos de silêncio. Reconheço a hora sagrada, a hipnose feminina perante esse santuário. Torço pra que seus olhos passem longe de botas, fechadas e compridas, impedindo qualquer visualização. Sempre torço pela sandália, o mais nu dos calçados, o vestido transparente dos pés, como marca de biquine propositalmente  à mostra.

Unhas pintadas com esmalte clarinho que ela escolheu dentre tantas outras cores. Tornozeleira de couro comprada em uma viagem inesquecível. Um anel de pé  feito praticamente sob medida. Aquela tatuagem de borboleta acima do calcanhar, seu mais novo mimo. A mulher se mostra aos homens de maneira diferente. Através da linguagem das nuances, do faro um pouco mais aguçado, da percepção apurada. Observar uma mulher por inteira é trocar intimidades pelo olhar. Elogiar uma tatuagem, um brinco ou o cheiro do perfume é mais válido que despejar mentiras esfarrapadas. A mulher se esconde de um lado pra se mostrar de outro, e desvendar seus enigmas é puro detetivismo masculino.

O verdadeiro homem sempre chegará aos pés de uma mulher. 






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