terça-feira, 30 de novembro de 2010

Verdades sobre o sábado à noite





Sábado à noite em casa é a segunda-feira do bom-humor. É o castigo dos que não tem culpa. 

Não aproveito pra estudar. Não adianto trabalho. Não me permito ao formalismo  nessas poucas horas exclusivas ao lazer. O sábado à noite é o filé mignon dos solteiros. É a menina-dos-olhos dos desimpedidos. Solteiro que não desfruta de um sábado à noite é um aposentado precoce.

Mas de vez em quando tenho vontade de me aposentar. Trocar a calça jeans pela samba-canção. A cerveja pelo controle remoto ou pela caneta. O churrasco pela pizza quatro-queijos. Há quem diga que já fui melhor, e não pretendo lhes tirar a razão.

A verdade é que o sábado à noite é um grande teatro a céu aberto. É o Coliseu dos destemidos. São rostos maquiados, quase camuflados, justamente nesta intenção: se esconder. Aproveitamos o cair da noite pra nos escondermos de nós mesmos. Pra encenarmos. Pra distribuirmos sorrisos ao léu, e isso é pecado dos graves. Sorrir deveria ser um ato de intimidade. Sorrio para tantas pessoas numa noite que a impressão é a de ligar o piloto automático bucal. A noite é a arte de desaprender a sorrir de jeito sincero. 

No sábado à noite as pessoas se gostam. Gostam até demais. Em excesso. Viram contadoras de histórias. Cúmplices de suas próprias mentiras. E a mentira é o mais forte dos drinques. É o absinto da     nossa integridade moral. Nos puxa pela perna e nos carrega sem cansar. Perdemos o limite e viramos piada. Culpamos a bebida e não lembramos de nada no dia seguinte. Aliás, amnésia alcoólica só pode ser coisa de Deus, que do alto de sua piedade, resolve nos poupar de boa parte da lembrança de quando enfiamos até o braço, não satisfeitos quando com os dois pés já metidos na jaca.

O sábado à noite é uma puta. E puta de luxo. Das mais caras. É o diabo travestido de lingerie vermelha. É masoquista, apanha pra nos prender. E consegue. Com maestria. Nos torna sarcásticos com nós mesmos.

 A noite é uma grande mentira. O único problema é que ainda não encontrei a verdade.

Falar mal do que amamos é uma arte. 






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