segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Acabar ou recomeçar








Foi observando as pessoas ao meu redor, juntando as reações de um com as emoções de outro, que cheguei a certas conclusões. O desatino dela refletindo na felicidade dele. Só me faltou a camisa-de-força, afinal sistematizar reações para o término de uma relação é ou não é loucura?

Cito alguns exemplos. O entusiasmo de um, brindando à 'liberdade' e comprando passagem apenas de ida para a tristeza, contrastava com as lágrimas e a sensação de um iminente fim que o outro sentia. Ambos em uma mesma história e com o mesmo enredo, entretanto com final absolutamente diferente. Como pode? Era ou não era amor? Ou era amor demais pra um e amor teatral pra outro? 

Vamos lá, você é sentimental, chora em casamentos, réveillon, lendo os textos do Caio  Fernando e assistindo a filmes de comédia romântica. Onde está escrito que tens que gargalhar, virar meia dúzia de doses de tequila e agarrar o primeiro que passar na sua frente? O relacionamento pra ti não era brincadeira, amou como nunca e projetou eternidade, onde mora o motivo de risada? Reação outra não poderia ser senão se entregar e torcer pra que isso passe o mais rapidamente possível.

Mas você também amou, e não amou menos. Continua com os pensamentos ainda lá atrás. Deixa fluir um sorriso quando afirma preferir a companhia dele no lugar das noites em claro por aí afora. Mas vai adiantar se trancar em seu quarto, no seu mundinho, escondida pro resto de tudo? Vai levar o que senão martírio? Jovem, inteligente, bonita... o mundo é seu, vá e tome conta dele! Onde mora o pecado em querer viver?

São visões diferentes e querer igualá-las é utopia. Difícil generalizar, porque amor não é receita de bolo, não tem prazo de validade e não acaba simplesmente por acabar. Quer saber? Antes fosse. Antes todos tendo a certeza de que a dor e o medo são passageiros e que dali a algum tempo estaríamos prontos novamente. Antes fosse, mas não é. O amor nunca acaba pelo mesmo motivo.

A verdade é que o amor acaba por aí. E como o mestre Paulo Mendes Campos eternizou em sua crônica "O amor acaba": "em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."







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