Teu colo

Ainda lembro. A grama verde oferecia passagem. Lembro do balé das folhas junto ao vento. Do suicídio das flores quando você passou. Dizem que as flores são invejosas, e naquela noite, haviam perdido o reinado.

Apenas palavras

Carregar em si o peso das palavras nunca foi remédio para a escuridão na linguagem.

A madrugada mais longa

Não, não havíamos planejado nada. Não prometemos confidências. Não oferecemos o branco das nuvens. Apenas sorrisos como quem diz ser amanhã.

Quando

. Quando as luzes não mostrarem os atalhos Quando os livros recolherem suas letras Quando os segredos se tornarem cochichos Quando o riso virar castigo...

Falsas mágoas

Relacionamentos nos obrigam a tomar decisões.Sensatas ou abruptas, no calor do momento ou na serenidade do sofá. Seja pra decidir a poltrona do cinema ou o hiato devido a proposta de trabalho no exterior. O amor nos testa com seu aglomerado de decisões.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Acabar ou recomeçar








Foi observando as pessoas ao meu redor, juntando as reações de um com as emoções de outro, que cheguei a certas conclusões. O desatino dela refletindo na felicidade dele. Só me faltou a camisa-de-força, afinal sistematizar reações para o término de uma relação é ou não é loucura?

Cito alguns exemplos. O entusiasmo de um, brindando à 'liberdade' e comprando passagem apenas de ida para a tristeza, contrastava com as lágrimas e a sensação de um iminente fim que o outro sentia. Ambos em uma mesma história e com o mesmo enredo, entretanto com final absolutamente diferente. Como pode? Era ou não era amor? Ou era amor demais pra um e amor teatral pra outro? 

Vamos lá, você é sentimental, chora em casamentos, réveillon, lendo os textos do Caio  Fernando e assistindo a filmes de comédia romântica. Onde está escrito que tens que gargalhar, virar meia dúzia de doses de tequila e agarrar o primeiro que passar na sua frente? O relacionamento pra ti não era brincadeira, amou como nunca e projetou eternidade, onde mora o motivo de risada? Reação outra não poderia ser senão se entregar e torcer pra que isso passe o mais rapidamente possível.

Mas você também amou, e não amou menos. Continua com os pensamentos ainda lá atrás. Deixa fluir um sorriso quando afirma preferir a companhia dele no lugar das noites em claro por aí afora. Mas vai adiantar se trancar em seu quarto, no seu mundinho, escondida pro resto de tudo? Vai levar o que senão martírio? Jovem, inteligente, bonita... o mundo é seu, vá e tome conta dele! Onde mora o pecado em querer viver?

São visões diferentes e querer igualá-las é utopia. Difícil generalizar, porque amor não é receita de bolo, não tem prazo de validade e não acaba simplesmente por acabar. Quer saber? Antes fosse. Antes todos tendo a certeza de que a dor e o medo são passageiros e que dali a algum tempo estaríamos prontos novamente. Antes fosse, mas não é. O amor nunca acaba pelo mesmo motivo.

A verdade é que o amor acaba por aí. E como o mestre Paulo Mendes Campos eternizou em sua crônica "O amor acaba": "em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."







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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Brincadeiras do destino






Era o cenário perfeito. Hora certa, restaurante cuidadosamente escolhido, tudo como havia de ser. Você com seu melhor modelo, coisa mais linda de imaginar. Eu, meio que aos trancos e barrancos, fazendo de tudo pra não passar vergonha diante de tanta beleza. Contei meses, dias e horas pra que o momento chegasse. E porque não chegou?

Brincadeiras do destino, não vejo outra resposta. Estranho deixarmos tais oportunidades passarem em branco, com direito a um "antes" magnífico, repleto de planos com um quê de ansiedade, e um "depois" escuro, vazio, indiferente, como se o êxtase que precedeu não houvesse ocorrido. 

Você tinha o telefone, o e-mail, endereço, local de trabalho e sinal de fumaça, mas fez questão de deixar tudo como se houvesse nada. Tudo bem, decerto que esta não foi a última pessoa do mundo, e que fingir carinho por alguém é lastimável, mas duvido que não havia o mínimo de resquício afetivo que uma boa conversa e um sorriso escancarado de sinceridade não resolvesse, ainda que não fosse de bate-pronto. Agora fica aí como quem só faz dizer que o amor te trancou num quarto escuro e que dali não vê saída, enquanto ao  redor não falta quem possua a chave pra te levar lá pra cima, lá pras nuvens.

Você esquece de uma só vez, ligeira, que o seu mundo poderia se expandir se sua resposta fosse qualquer outra diferente de um "não". Vá lá que não desse nada certo, o cara fosse um sacana, ou que se arrependesse por ele ter mau-hálito, chulé, usar meia rasgada, que fosse, mas que deixemos de lado esse lance de adivinhação. Às vezes, dar a cara a tapa não significa loucura, e sim uma chance a si mesma.

Senti falta do que nunca existiu, pela primeira e última vez. 






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