segunda-feira, 19 de julho de 2010

Algumas verdades sobre términos e recomeços






O fim das expectativas, o término do enlace, a interrupção dos dias de amanhã. Olhos marejados, futuro incerto e lamentos do passado. Há toda uma vontade de não enxergar, de não querer acreditar, mas a realidade é bem clara: o namoro chegou ao final.

Término de namoro é queda livre. O mundo parece girar ao contrário e em câmera lenta, e aquele seu travesseiro velho, que trata de secar suas babas e lágrimas, passa a ser seu melhor amigo e maior confidente. As mais fortes resgatam energia e enchem a cara em algum bar ou mesmo trancadas no quarto, mas, no dia seguinte, retornam à estaca zero e com o dobro da intensidade. Terminar o namoro é sentir-se perdida, desmotivada, afinal, você tinha planos com aquela pessoa e planos a longo ou perpétuo prazos.

Namorar aguardando o término, me desculpe, não é namoro. Quem namora faz planos para a eternidade, mesmo que não conte ao outro e isso independe da idade. Quem namora aos quinze almeja fugir com o amado mediante aquela desastrosa promoção que o pai recebeu pra trabalhar em outro Estado. Quem namora aos vinte e cinco já folheia os classificados sonhando com o primeiro imóvel, e os mais apressadinhos já escolhem os padrinhos. Quem namora aos trinta e cinco passa boa parte do dia pensando na melhor forma de conduzir a convivência do namorado com seu filho ciumento. Namorar é se imaginar já bem velhinho, naquele almoço de domingo, cercado de filhos, netos e bisnetos. E quando isso não ocorre, é interrompido no meio do caminho, não há dúvidas: o sentimento de tragédia é certo.

Você muda o número do celular, mas olha umas setenta e quatro vezes ao dia, aguardando uma ligação dele, nem que seja uma mensagem desaforada. Qualquer casal caminhando de mãos dadas lembra vocês dois. Se ouvir aquela música que tocava no dia do primeiro beijo, danou-se. Tudo não passa da vontade de crer que o amor não se pôs, por mais jogo duro que seja. Olhar pra trás e emendar o passado com o futuro, não querer dizer que tudo aquilo foi em vão, que seus planos não deram certo.

Mas a verdade é que o amor é sarcasmo. Sabe que as próximas nuvens trarão não apenas trovoadas. Não duvida que o acaso pode fazer suas vontades. Esconde o relógio e os calendários e faz pouco das horas e minutos. O tempo também sabe ser o melhor amigo.

Novos ventos soprarão as esperanças de uma outra chance a si mesma. Isso é naturalmente lindo e demasiadamente humano, oferecer-se novamente às esquinas, aos pontos de ônibus, aos passeios com os amigos, e assim fazer questão de ceder passagem ao acaso, rir para as casualidades que surgirem, pois a vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida, salve Vinícius.

É jamais esquecer que a fria escuridão cede lugar ao sol. Encontrar-se novamente consigo mesma, aprender com os erros e ratificar as qualidades. Abrir as portas e as janelas da vida, deixar que a brisa de uma nova oportunidade aponte os rumos, esbarrar com o destino na primeira esquina e perceber que, no fim, tudo se fez recomeço.





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