sábado, 12 de junho de 2010

O que é namorar





Foi chato dizer que eu não tinha a resposta, mas não havia opção. A verdade é que se tratava de uma daquelas perguntas cuja solução é genérica demais ou pessoal demais. Ou os dois juntos. Mas prometi que chegaria a um resultado, e gosto de cumprir com minhas promessas. Ela perguntou por que, logo no comemorado e temido dia doze de junho, ainda não havia arrumado namorado.


O próprio termo já soa de maneira esquisita, "arrumar namorado". O sentido equivale a se dar bem, obter vantagem pra si. Dá até um ar de malandragem e, definitivamente, esse não é o caminho. Você arruma é desconto naquela calça jeans, arruma cortesia pra noitada de sábado, até arruma um cara que lhe pague um drinque. Mas namorado você não arruma, sinto dizer. "Mas é só o jeito de falar!". Negativo. Há todo um contexto em volta, e estando afinada na teoria, a prática torna-se menos complicada. Namorar é simplesmente namorar, ok?

Namorado não se procura, mas não significa que você não possa flertar com a sorte. Antes é preciso se olhar internamente. É necessário que você seja apaixonada por si para despertar a paixão de outros. Fala a verdade, você está tão acima do peso como acha? Seu cabelo é realmente tão rebelde como você diz? Tem certeza que aquele cara da faculdade só tem olhos para aquela menina que senta na segunda fila? De onde você tirou essas ideias? Saber-se bonita é se saber feliz, e isso transparece aos olhos de outros.

Namorar é se surpreender, a começar por si mesma. Você gosta de caras morenos, frequentadores de academia e entendedores de signos. Mas aposto a senha do meu cartão de crédito que você vai passar a reparar naquele cara branco, magro, que se veste de maneira esquisita, conta piadas e tem uma coleção de carrinhos na prateleira do quarto. "Mas o que esse cara tem demais?" Repara direitinho. Repara na sua cara quando ele não muito raramente lhe arranca uma gargalhada e você retribui com um sorrisinho tímido seguido de uma ajeitadinha nos cabelos. Repara na sua cara de atenção quando ele comenta que assistiu à trilogia de 'O poderoso chefão' pela sexta vez, que joga tênis com o tio às quintas e quando te ensina alguma palavra em alemão, empolgado com o início do curso. Ainda que você não tenha assistido nem ao primeiro dos três clássicos de Coppola, que nunca tenha ouvido falar em quadra rápida e ache a língua alemã a mais chata desse planeta, adorará ouvir as histórias e ainda dará pitaco. "Nossa, mas eu nunca me interessei por essas coisas... como pode?". Ora, garanto que sabe a resposta e não precisa se dar ao trabalho de me contar. Amar é quebrar protocolos, é você rachando sua própria cara. Amor é sinônimo de Deus, também escreve certo por linhas (extremamente) tortas. É um eterno paradoxo.

Quem namora tem paixão, mas tem que ter muito mais amor. Paixão você pode ter em cada esquina, em cada festa, em cada ida à academia, e sabe que se confunde com amor. Diz-se estar apaixonada, e não lhe tiro a razão. Quem se apaixona também desapaixona, e na mesma velocidade. Um pouco diferente é no amor. Paixão pode até virar amor, mas amor jamais virará paixão. Amor é a paixão crescidinha, dona de si, irresponsável às vezes, é até bom, mas é conhecedor de sua essência. Paixão devora. Amor demora. Amor pega a paixão no colo e nina. Um conselho: namorar, além de estar apaixonada, é estar amoronada.

Não se preocupe com o doze de junho. Em vez disso, seja sua própria jardineira. Cultive. Abra a porta de si e para si. O amor não pedirá licença e nem tirará os sapatos.



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