sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Por mim mesmo




Se fosse escolher uma palavra que eu não gostasse, em todo o dicionário, provavelmente seria 'estereótipo'. É definida como invariável, inalterável, fixo. Não muda. Sempre a mesma coisa, ontem hoje e sempre. Marasmo, inércia... Sentidos mil poderíamos aplicar, mas acredito que o mais cabível seja também a mais simples: definição.

Oscar Wilde disse que quem se define se limita. Eu iria além. Se diminui, retroage, anda pra trás. Resumindo: envergonha-se. Mesmo que não perceba.

Há quem busque a correta definição de si próprio. No oceano da nossa personalidade, trancar seus sentimentos e reações dentro do calabouço da definição é uma atitude pouco inteligente. Nesse mar eu só navego com barco à vela, e somente a vida sopra os ventos. Busco reconhecer-me, mas não ouso usar da definição, mesmo que eu tenha  passado toda a minha vida junto a mim. Reconhecimento nunca foi definição. Qual seria o limite das nossas qualidades e defeitos? Será que nunca me perdi em um dos caminhos de mim mesmo?

Há quem use de alguns artifícios para buscar a solução. Fotografia? É pouco, quase nada. Todas cegas, surdas e mudas. Seu único valor é servir à saudade. Seu destino é manter-se condenada dentro de um baú.  A fotografia nunca será um retrato teu.

E o que dizer do espelho? Pode passar horas e horas a frente de um, jamais o refletirá. Nunca acredite nas mentiras que os espelhos contam!

Objetos e mais objetos. Nenhuma definição.

Quem sou eu? Não sei, e o dia em que souber não haverá mais nada a fazer. Fim. Serei mais um exemplo da palavra mais temida por mim, e isso eu me recuso. Que dessa esquizofrenia eu jamais me cure.

Céus! Será que nunca seremos nós mesmos?

Quer saber? Tomara.






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