terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Nosso pós carnaval





Soa de maneira engraçada. Acredito ser até bem comum, principalmente nesta época do ano. Verão, praia, festas, carnaval... Como se este período fosse idealizado apenas para os solteiros. E deve ser mesmo. Mas com prazo de validade.

Parece que a quarta-feira de cinzas decreta uma nova fase na vida de alguns solteiros. Encerrado esse período tão aguardado, findo o horário de verão, terminada as férias... Em suma, o início do ano. Como dizem que amor de praia não sobe serra, admita, retornou à estaca zero. Andou em círculos durante o verão. Eu sei, não há problema, o verão foi feito pra isso mesmo. Então, com o ego nas alturas e com o ar de missão cumprida, ouvimos a frase mais falada no pós verão:

- Pronto, agora vou namorar.

Seria cômico se não fosse trágico. Decerto há a atenuante do calor do momento cumulada com a depressão advinda com o fim do carnaval, mas como toda mentira tem seu fundo de verdade, neste caso não é diferente.

Seria uma subjetiva carência resultante do "beija, beija, tá calor, tá calor"? Pode ser que sim. É como ter tudo e nada ao mesmo tempo. A linha é bem tênue.

E então, vai passar o outono e o inverno desacompanhada? Jamais. A solução é extremamente simples. Arrume um namorado! Lógico! Como não pensou nisso antes?

Talvez por não ser filha de Eros e Afrodite, deuses do amor e, consequentemente, não ser dotada de tal poder. Parece até que estes resolveram tiras férias durante o verão, e retornarão àvidos posteriormente, a fim de recuperar o tempo perdido.

Como se namorar fosse medido de acordo com as estações. Verão é solteirice, inverno é filme e pipoca no edredom. Primavera e outono são amistosos e pré-temporadas. Pra valer mesmo são apenas duas  partidas de noventa dias mais acréscimos. 

Não vou dizer que seja impossível, pois há quem arrisque e consiga juntar o útil ao agradável. Mas duvido que resista ao primeiro 'hoje não posso, não estou muito bem', ao primeiro 'não gosto desse filme, podemos ver outro?'. Sente-se indiferente caso não receba uma mensagem pela manhã contendo um 'eu te amo', não se incomoda caso não ouça um 'Nossa, como você tá linda!' quando termina de se arrumar pra ir ao shopping.

Admito, também já soltei essa célebre frase. Não me sinto mal, não há pecado, apenas esqueci que algo tão grandioso é inerente a sensações impossíveis de definir, bem como a pequenas coisas que não podemos enxergar a olhos nus.

Dois amigos meus foram além. Afirmam que encontrarão a amada até, no máximo, quinze dias após o carnaval. Tolamente acompanharei. Se conseguirem, passarão a ser donos de uma das maiores invenções da humanidade, perdendo apenas para o óleo de peróba.

Diante de tanto poder, a ressaca pós verão soa mais condizente a este reles mortal que vos escreve.






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