Teu colo

Ainda lembro. A grama verde oferecia passagem. Lembro do balé das folhas junto ao vento. Do suicídio das flores quando você passou. Dizem que as flores são invejosas, e naquela noite, haviam perdido o reinado.

Apenas palavras

Carregar em si o peso das palavras nunca foi remédio para a escuridão na linguagem.

A madrugada mais longa

Não, não havíamos planejado nada. Não prometemos confidências. Não oferecemos o branco das nuvens. Apenas sorrisos como quem diz ser amanhã.

Quando

. Quando as luzes não mostrarem os atalhos Quando os livros recolherem suas letras Quando os segredos se tornarem cochichos Quando o riso virar castigo...

Falsas mágoas

Relacionamentos nos obrigam a tomar decisões.Sensatas ou abruptas, no calor do momento ou na serenidade do sofá. Seja pra decidir a poltrona do cinema ou o hiato devido a proposta de trabalho no exterior. O amor nos testa com seu aglomerado de decisões.

sábado, 25 de dezembro de 2010

As cartas que ainda aguardo





Quando criança, queria ser carteiro.

Admirava a profissão daquele simpático sujeito de calça e boné azuis, camisa amarela, que chegava montado em sua bicicleta Barraforte. Não sei por quê. E Talvez nem haja motivo. Puro despropósito de criança.

Já maior, busquei os motivos pra tal contemplação. A resposta veio de forma taxativa: carteiro é uma profissão mística. É o nosso último elo de esperança.
 
O carteiro fascina-me por sua nobre missão. Intercede-me. Tenho vontade de ser chamado por nome pelo carteiro, anunciando, feliz, minha tão esperada mensagem. Devia ser convidado a ocupar lugar à mesa. Ser membro da família. O carteiro traz nossas intimidades com discrição de eunuco. Todo carteiro deveria ser tratado tal como Mario por Pablo Neruda, em "O carteiro e o poeta", relação de mais pura amizade. Neruda contribuía à época de um romantismo inerente à profissão dos carteiros, que desgraçadamente vem apagando-se.  


Talvez eu sinta saudade de épocas que não vivenciei. Olho pra trás com o saudosismo de quem apela por regresso. 

Quando verifico minha caixa de correio, espero algo além das contas de banco e boletos de pagamento, de propaganda de supermercado e anúncio de Tevê à cabo. Aguardo a solidez de uma mensagem de afeto vinda de milhares de quilômetros, explicitando  as letras tortas de quem tremia ao escrever, tamanha saudade. Aguardo o desabafo de quem abnega-se do teclado e, de próprio punho, redige cartas de amor. Perfumadas, inclusive. Ou de ódio, que seja. Porque ódio é o feriado do amor. Uma hora acaba. 

Não desejo que minhas lembranças sejam apagadas toda vez que eu trocar de celular. Não me surpreendo com a artificialidade de mensagens eletronicamente enfeitadas. Prefiro a verdade de quem se entrega em cada palavra. Descosturo qualquer invenção moderna pra não atar-me às velharias dos dias atuais. Enxergo a importância e a necessidade de reviver, diariamente, tudo que foi deixado pra trás.
.
Ainda acredito em carteiros. 






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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Amor utópico





Às vezes necessitamos do fim para enxergarmos os meios. Precisamos da explosão pra percebermos faíscas. Chegamos ao fim da linha e desejamos retornar à largada. Sentimos vontade de reatarmos com nós mesmos e vivermos tudo aquilo que nunca houve, mas estava lá, à disposição, bastava esticar os braços. Mas passou em branco. Conformismo é utopia de segurança.

Abandonava reações. Desfazia inícios temendo a insensatez oriunda de quem não enxergava certezas, como se no amor, a certeza figurasse por algum momento. O amor é a plenitude da inconstância. Esfacela tudo aquilo que delineamos em cálculos. Nos dá o tempo de percebermos sua chegada e tomarmos iniciativa. O amor não cede lugar a conformismos. Não dá caução. Chega, mas quer recompensa; quer reação.

Reagi por metade e me contentei. Imaginei ter cumprido meu papel, como se conquistas surgissem do pouco esforço. E o amor é a essência das conquistas. É merecer sorrisos, dançar olhos nos olhos, desvendar carícias. É liquidificar as reações que não são percebidas, porém inconfundíveis quando a enxergamos sem o auxílio dos olhos. É pura evolução.

A verdade é que fantasiar realidades sempre foi a saída mais fácil. A certeza se torna distante. Criamos um mundo e bebemos da impressão de termos absoluto controle sobre ele. Ora, tudo isso não passa de ilusão. Não é fácil admitir, mas experimentei do amor utópico quando um suspiro me faria transcender.

Vivi uma eterna reconciliação. Fui ex de mim mesmo. Meu amor era sonâmbulo, vagava em busca de respostas enquanto eu encenava descanso. Discutia a relação quando não havia par. Reconciliei-me todas as vezes que o comodismo me beijou com ar de menina faceira. Deixei levar.

É estranho pensar que não resta mais tempo. Tempo, logo esse, meu eterno aliado. Esperei até os últimos instantes pra correr atrás de evidentes respostas que sempre estiveram à minha frente, cristalizadas. Vou com o remorso de quem preferiu não romper a barreira das incertezas, e incerteza é atenuante pra indiferença. Não permite que caiba mais um.

Chego ao último dia relembrando o primeiro. Sinto o peso dos meus excessos. 












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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Rir da vida





Rir da vida é enganação. 

Foi quando tomei coragem e encurralei minha vida. Queria ouvir certas verdades. 

Contestei algumas escolhas feitas ao longo dos anos. Em vão. Nossas escolhas não são erradas. A falha surge na consequência. Qualquer cálculo que fizermos acerca da vida, por mais insano que pareça, não significa tender ao erro. A nossa vida inteira é feita de cálculos. Cabe à vida dar  o caminho que melhor nos encaixarmos. Pro certo ou pro errado.
 
Passei a experimentar a placidez da vida. Obriguei-me a evoluir aos meus tempos de criança, pois a verdadeira malícia é aquela em que preservamos nossa ingenuidade. É o nosso grande trunfo. É  aproximação com o sexto sentido. Só enxergamos sem vícios quando nos tornamos ingênuos. 

Já me preocupei com futilidades e fiz pouco caso de importâncias. Afoguei certas verdades. Esforcei-me pra resgatar meias-mentiras. E me sustentavam. Era fantoches dos meus julgamentos. Olhei ao longe e procurei o que ainda era embaçado, incerto, dúbio, e tratei com desleixo as evidências, o que era escancarado, a centímetros de mim. Abri mão, mas não abri o coração. 

Sou meu próprio aniquilador. Atravesso meu corpo. Perfuro minhas saudades. Dinamito verdades incontestáveis. Sustento-me com pouco. Passo fome. Sou Somaliano da minha própria vida. Peço esmolas a mim mesmo. Faço-me de bobo. Finjo de morto. Dou ao luxo de não sentir meu cheiro e retrucar com o paladar de ontem. O gosto em desuso. 

Vida não pode ser filme. Não deve ter roteiro, script, nem final feliz.

 Encarei o paradoxo de receber ordens em minha própria vida. Raramente reclamava. Dava-me por satisfeito e decorava as falas. Havendo recompensa, a história pouco me importava. Necessitei dar um basta.

Foi naquele dia. O dia que encurralei a vida e exigi verdades. O dia que esbravejei e ordenei mudanças. Disse que da minha vida eu comando, e requeri plenos poderes. Certo de mim, me impus. Despejei bravatas em minha direção como quem sente culpa. E sentir culpa é dever favor. Descobri estar em débito comigo mesmo, e quem deve, paga. Nem que seja com a consciência.

Rir da vida não é remédio. É  medo






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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Verdades sobre o sábado à noite





Sábado à noite em casa é a segunda-feira do bom-humor. É o castigo dos que não tem culpa. 

Não aproveito pra estudar. Não adianto trabalho. Não me permito ao formalismo  nessas poucas horas exclusivas ao lazer. O sábado à noite é o filé mignon dos solteiros. É a menina-dos-olhos dos desimpedidos. Solteiro que não desfruta de um sábado à noite é um aposentado precoce.

Mas de vez em quando tenho vontade de me aposentar. Trocar a calça jeans pela samba-canção. A cerveja pelo controle remoto ou pela caneta. O churrasco pela pizza quatro-queijos. Há quem diga que já fui melhor, e não pretendo lhes tirar a razão.

A verdade é que o sábado à noite é um grande teatro a céu aberto. É o Coliseu dos destemidos. São rostos maquiados, quase camuflados, justamente nesta intenção: se esconder. Aproveitamos o cair da noite pra nos escondermos de nós mesmos. Pra encenarmos. Pra distribuirmos sorrisos ao léu, e isso é pecado dos graves. Sorrir deveria ser um ato de intimidade. Sorrio para tantas pessoas numa noite que a impressão é a de ligar o piloto automático bucal. A noite é a arte de desaprender a sorrir de jeito sincero. 

No sábado à noite as pessoas se gostam. Gostam até demais. Em excesso. Viram contadoras de histórias. Cúmplices de suas próprias mentiras. E a mentira é o mais forte dos drinques. É o absinto da     nossa integridade moral. Nos puxa pela perna e nos carrega sem cansar. Perdemos o limite e viramos piada. Culpamos a bebida e não lembramos de nada no dia seguinte. Aliás, amnésia alcoólica só pode ser coisa de Deus, que do alto de sua piedade, resolve nos poupar de boa parte da lembrança de quando enfiamos até o braço, não satisfeitos quando com os dois pés já metidos na jaca.

O sábado à noite é uma puta. E puta de luxo. Das mais caras. É o diabo travestido de lingerie vermelha. É masoquista, apanha pra nos prender. E consegue. Com maestria. Nos torna sarcásticos com nós mesmos.

 A noite é uma grande mentira. O único problema é que ainda não encontrei a verdade.

Falar mal do que amamos é uma arte. 






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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os encantos da mulher mineira






Casamento, pra mim, nesse momento, é algo tão distante quanto ganhar na Mega-Sena. E por duas vezes. De certeza, apenas uma: casarei com uma mineira.

Deus exagerou ao criar as mineiras à sua imagem e semelhança. Dobrou a dose. Ainda tenho lá as minhas dúvidas se são realmente humanas ou se são anjos, com intuito de nos levar pra junto delas, lá no céu. Não à toa Deus as encravou em Minas Gerais, cercadas por montanhas pra dificultar o acesso de qualquer um. Mas nesse caso sou capaz de me tornar o mais audacioso alpinista.

A mineira extravasa simpatia. Só podem ter estudado em colégios diferentes dos que conheço. Não aprenderam a ser mal educadas. Desconhecem do mau humor. A mineira sempre me recebe com um sorriso, e o sorriso de uma mineira é o arco-íris do meu domingo, o calabouço das minhas tristezas. Elas sorriem com os olhos ao mesmo momento em que ajeitam os cabelos e deixam transparecer um jeitinho tão tímido que contrasta com todo aquele amor despejado já nos primeiros momentos. Como se ainda não fosse suficiente, nos perguntam da maneira mais doce do mundo: "Cê tá joia?".

E a maneira como elas falam? A mineira não fala. Ela canta. Canções de amor, baixinho, no pé do ouvido. A mineira quando fala, me pega no colo. E eu faço corpo mole, deixo levar. Sou capaz de ser o mais compreensivo e atento ouvinte de uma mineira, só pra admirar o jeito charmoso como diminuem as palavras.

A mineira nasceu pra ser cortejada, pois nos despejam todo amor sem mesmo saberem. Elas são altruístas. Nos dão carinho tão despretensiosamente quanto criança que planta pé-de-feijão em algodão. Nos oferecem extremado afeto de maneira tão simples como ajeitam uma flor nos cabelos. Toda mineira deve possuir algum toque divino que nós, humildes terráqueos, desconhecemos.  Porque todo o simples e irreparável é gritante e inexplicavelmente charmoso quando nelas. São donas de ternuras delicadas e inerentes à sua beleza, aquela beleza sabida de que a natureza foi a sua melhor amiga.

Há quem diga que sejam ciumentas. Eu quero. Quero a mineira mais ciumenta desse mundo. Porque ciúme é amor demais. Só tem ciúme quem quer guardar, quem deseja levar pro resto da vida. Quero a mais ciumenta até meus últimos dias.

As mineiras são donas de si. São decididas. Não escondem amor e amam com autonomia. Amam sem pressa porque desejam intensidade. Amam através do olhar. Amam com todo o tempero mineiro. Amam como se fosse uma espécie de feitiço. Amam carregadas de ternura.

O sorriso de uma mineira já é motivo de alegria. Meu mundo perderia um pouco da graça se a visse chorar. E diante das inúmeras tentativas de encontrar uma palavra que a definisse, rendo-me: a mulher mineira nunca será definida por adjetivos; estes serão sempre redundantes.

Quero me sentir mais próximo de Deus e receber amor em exagero. Quero uma mineira pra toda a minha vida.  






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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O vento e o mar e aquela menina





Estava do alto do terceiro Andar. Da visão contrastante daquele barco que repousava sobre o mar nervoso, ganhando cafuné em sua proa, em um início de trânsito rotineiro dessa hora. Os aviões pareciam beijar o mar, os carros formam um abraço coletivo, lá pelo fim de tarde.

No balanço das poucas árvores, no andar louco e apressado dos que passam, no barulho das buzinas, sirenes, dos berros, do motor acelerado, do caos, ela caminhava. Caminhava como se não existisse revolta, como se tudo fosse dela, no meio daquele trânsito, no meio daquela selva. Caminhava e paralisava quem seguia seu oposto, seguia na direção contrária do vento, cabelos maliciosamente desprendidos e um sorriso largo no rosto. Era menina que tinha encantos, e só tinha encantos porque não sabia que tinha, aquela menina. 

Caminhou rente ao mar como se dele fosse. Sorria apenas para ela, aquele mar egoísta, que judiava das pedras com a sua força de ressaca. Aquele mar interesseiro, que era todo cortesia da beleza daquela menina, convidou-a para respousar ao seu lado e vinha com marolas beijar-lhe os pés, e ela caminhava cortejada pelo mar e pelo vento. Caminhava sem destino, desfazendo os desatinos daquela tarde de rotina. 

Ela caminhava como quem não tem compromisso, horário, preocupações. Era alheia ao seu redor. Caminhava adorada pelo mar e pelo vento, não fazia questão de elogio, e a mulher só recebe elogios quando não faz questão. Era o cortejo da alma, a declaração de amor da natureza, que competia entre o vento e o mar, quem ganharia sua beleza. E eu, na minha medíocre posição do mortal, do admirador que só pode admirar calado, estagnado com o imenso cortejo dos deuses, da batalha travada entre Poseidon e Éolo, diante dos olhares de quem passava,  tão escravos quanto eu. 

Foi o dia que aquela menina passou. Foi o dia que eu a vi, do alto do terceiro andar, entre o barco que repousava plácido e o caos das cinco da tarde. Foi de lá que eu vi a menina, que camuflou e conflitou a rotina, que fez magia, que esnobou o vento e o mar, que não viu ter desmanchado o enfado, que não sabia do poder que tinha, aquela menina, aquela menina.       








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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Camisas velhas, amores novos





Já fui mais organizado em relação ao meu guarda-roupa.

Gostava de seguir certos padrões. Nas gavetas, vinham as camisas um pouco menos prestigiadas, mas não menos organizadas. Seguiam a ordem da antiguidade. Nos cabides junto aos casacos e ternos, mantinha as camisas que gostava de usar em festas e eventos. Eu chamava de 'primeira classe'. Tinha absoluto controle das posições, enfileirava pelo cabide segundo a ordem das cores.  Da mais escura a mais clara, da direita para a esquerda.  Lá eu mantinha as minhas camisas da sorte. Quando as vestia  me  sentia outro,  mais confiante, mais seguro, mais detentor de mim.

A maioria dos homens possuem a sua camisa da sorte. Aquela que é separada com uma semana de antecedência, logo após desligar o telefone e marcar um encontro com aquela mulher desejada há tempos. Eu tinha o meu rol. Não gostava que as mudassem de lugar, inclusive eu mesmo as passava. Descobri que passar roupa é uma das melhores terapias existentes, e o melhor: gratuito. O homem que passa suas roupas estará sempre um passo a frente dos demais. Mas eu não me interessava muito nisso. Era mais pra uma espécie de concentração antes da partida, onde restavam apenas a camisa e eu,  a massageava com o ferro, como quem dizia: 'Vai lá e mostra o que você sabe fazer!' Sempre houve uma cumplicidade entre mim e as camisas. 

Sim, eu sei, TOC era pouco, muito pouco pra definir essa época, e se me chamarem de excêntrico, considerarei o mais belo dos eufemismos.  

Mas foram surgindo responsabilidades. Trabalhos, estudos, pouco tempo em casa e, consequentemente, pouco tempo para as minhas organizações. Tudo bem que essa é a desculpa preferida dos bagunceiros, mas acho que não chego a esse nível. Muitas camisas foram abandonadas, largadas, algumas sumiram. Porque certas roupas desaparecem mesmo. Mágoas de quem se sente abandonado.

No amor também é assim. Talvez sem explicação, sem que percebamos, desatamos nossos laços afetivos, e o transformamos em nós. Nós cegos. Nós dois cegos. Um não enxerga mais o outro, mas os dois se aturam. A atenção passa a não ser mais a mesma, as ligações reduzem apenas às cobranças. O encontro passa a ser como uma ida ao dentista. A paixão passa a ser obrigação. O amor perde a cor. Desbota, largamos à poeira e às traças, para sucumbir na inevitável consequência: a substituição. Às escuras, às escondidas, por nos faltar coragem pra dizermos o que é mais evidente: vai.

Não cultivo um amor amarrotado, descosturado, rasgado. Um desleixo despercebido e natural no amor pode significar que foi aproveitado até as últimas consequências. Tudo daquele amor foi desfrutado, e por vezes se rompe, rasga, nos avisando que chegou ao fim. Não é motivo de lamento, e sim de entregar-se às oportunidades futuras.

Essa semana, minha mãe, depois de uma faxina, me mostrou três de minhas antigas camisas, e falou:

-Brunno, olha, essas camisas estão furadas. Quer que eu dê um ponto?

Ela queria dar um ponto. Se desse três pontos, seriam reticências, e reticências significa continuação. Mas não. Foi enfática. Apenas um ponto. Não deu brecha.

-Pode ser, mãe. 

Tirei aquele dia pra dar um ponto em outras mais, inclusive nas não apenas furadas.   












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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Certos amores têm pressa





Sempre considerei a paciência como uma de minhas virtudes. Prefiro ouvir a falar.

O mundo pode desmoronar ao meu lado, mal pisco os olhos. Faço questão de não lembrar da pressa. Deixo meu lado sereno me guiar sem rumo.

Só explodo por dentro. Preferi a cólera do sorriso, o dissabor camuflado em mais uma chance. Não me importo em perder tempo com o que durará o resto da vida. Gosto do sabor de colocar cada tijolo em meu castelo, conduzir minhas ideias antes de transformá-las em realidade. Fujo do convencional, padeço da falta de pragmatismo, não bato palmas pra quem chega primeiro. Aprecio o prazer da solidão, a revelação da penumbra, conversa amistosa em meu ego. E faz eco. Por todos os cantos de mim.

Enobreço-me em estado plácido, cultivo o valor do olho no olho, não me importo se o retorno só for mais tarde. Elogio e não espero ação. Costuro à mão meus retalhos, paro o tempo quando sinto o cheiro. Exemplifico com risadas e ratifico com súbito silêncio. Falo com os olhos, ouço pela boca, beijo com o nariz. Sou o suprassumo do caminho mais detalhado, convido e não olho no relógio, não digo 'não'.

Não faço crise por pouco afago. Acometo-me das maiores loucuras em estado sóbrio. Sei dizer que é o momento, reconheço face de quem diz não. Sou enganado por palavras, mas nunca por gestos. Aprendi a ler o rosto e descobrir a conversa expressada. Fiz marola quando poderia ser maré. Fui lagoa quando restava oceano. Fui casto quando caberia a impureza de uma flecha com mira certa, mas afiada em excesso.

Nunca confundi desatinos. Não perdi a batalha para o cansaço. Jamais andei na corda bamba da desatenção. Não disse que era amor porque amor não se diz que é. Não rejeitei paixão porque paixão não conhece de descaso. Plácido, projetei e apontei amanhã, disse sim pra quem olhou nos meus olhos. Em vão. Paciência e insensatez jamais se encontrarão.

Havia esquecido que certos amores têm pressa. 






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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Todo amor tem seu tempo





Suponho os desencontros serem um jogo de azar. Uma fatal desconfiança do acaso.

Todo encontro que se preze, pede licença ao tempo. É uma tentativa de juntar o que não se vê com o que não se ouve. É a delicadeza de nos colocar tão perto e tão longe, no mesmo patamar.

Mas o desencontro pode ser mútuo. E a menos de um palmo de distância. Frente a frente.

Um desencontro combinado pode ferir mais que o esquecimento. Pode refletir em assombro, fingir não haver respostas quando as proporções já se tornaram incontroláveis. É querer que a vida seja babá, tome as rédeas da situação e aja pelos dois. Não dá. É apenas vida, e até faz milagre, mas não caridade.

Não conheço um sujeito que mergulhe descabidamente em um amor que tema perder. Vai usar de todos os artifícios possíveis: medir profundidade, temperatura e entender da maré. Apesar de calculista, tem toda a pressa do mundo. Arrisca sem medo a sedentária dúvida que insiste em morar em nós. Troca toda a certeza plácida e ociosa de um amor morno, por uma fagulha de amor inconsequente e encarado sem medo.

Ninguém morre de amor. No máximo, finge de morto. Em vão. Amor não se atrai por pena. Não é precoce. É faceiro e debochado, não se entrega de bandeja. Ambos precisam da iniciativa. Porque quem inicia corre o melhor de todos os riscos: o risco de nunca enxergar fim.

Mas não se trata de vergonha de ter medo ou medo de nunca se alcançar. É o desejo de continuar procurando quando um já encontrou o outro. É o esconderijo revelado, a frase decorada, o sorriso espontâneo, os olhos de leite, uma mão que esbarra na outra por "acidente"; são as risadas, os jardins, os resquícios, as migalhas, as nuvens, o "foi quase", a tatuagem e o café. Um amontoado de pequenos sinais que nos indicam já estarmos absolutamente compreendidos. 


Temos medo de amar menos se estivermos juntos.

Dotados de coragem aqueles que se atiram em suas guerras amorosas. Mas não menos felizes os espectadores do seu próprio amor. Sei o que sentem quando não dizem nada, ou quando se olham e conversam pela íris. Papo de horas resumido num piscar de olhos. Apenas aguardam o inevitável, e o que pra alguns é considerado desleixo e preguiça, reflete-se em amor vivido em toda sua intensidade, e apenas aos olhos de quem realmente interessa.

Todo amor tem seu tempo e todo tempo reverte-se em amor.

Amanhã ou quando for.








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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Bolsa de mulher







A bolsa de uma mulher é uma das maiores interrogações da humanidade.

Parece que nela elas carregam todos os seus segredos. Dos mais simples aos mais arrebatadores. Não à toa elas a mantém distante dos homens, algumas até com chave e código.

Vamos pelos mais "básicos": Espelho (sempre um espelho), batom, kit maquiagem, cosméticos... e eu achando que carregar RG e CPF já seria passar da conta. Mas pra elas, não. Nada é exagero quando se trata de vaidade, mas aquela vaidade de pura alma, aquele golpe que elas costumam dar com um simples retoque.

Algumas carregam suas agendas, seus diários, seus celulares. Levam um pouco de sua intimidade, e a bolsa passa a ser um oráculo de bico calado. Carregam consigo a foto de seus amores, sejam namorados, filhos, pais, cachorro... porque na primeira esquina a mulher já sente falta, e não deixa passar em branco como os homens, machos e viris, mas tão carentes quanto. Nenhuma mulher deixa seu baú de emoções em casa.

Tenho vontade de suborná-las para um mero espio, um olhar pela fechadura, coisinha boba, mas ainda não descobri tão valiosa moeda de troca. Quero ser o primeiro homem a ter acesso a esse universo criado apenas para elas. Quero descobrir os segredos e me tornar mais super-homem que o Clark Kent. Quero ser imune a criptonitas e a mensagens não respondidas. Mergulhar nesse pitoresco objeto e me afogar por todos os seus caminhos.

Mas se não tiver jeito, que eu parta para o crime. Terei aval. Por boa causa.

Quero ser ladrão de suas bolsas. Quero furtar e ver se encontro tudo aquilo que ainda não reparei se ali carregam. Quero achar todas as suas manias. Quero ver um abraço apertado, escondido debaixo daquele par de brincos, lá no fundo. Quero catucar até encontrar o segredo de todo o seu indecifrável e escancarado charme nos gestos mais triviais. Quero fazer uma bagunça, revirar até achar todo aquele olhar de lua cheia que banha minhas noites de sono e de sonhos. Quero ser capaz de localizar todos os atalhos do seu mais belo sorriso. Achar o caminho mais curto para aquele beijo com a complacência e a emoção de quem aguardava há tempos. Quero achar a chave e ouvi-la dizer que uma vida inteira ainda é muito pouco pra nós dois.

Porque não me interessa metade quando posso ser pleno.

Quero ser abusado, vasculhar de ponta a ponta e descobrir todos os atalhos. Quero ser o Sherlock Holmes de suas confidências. Encolher e adentrar como um suspiro em suas intimidades, para assim descobrir que dentro da bolsa de uma mulher não há desejo de se esconder, e sim vontade de se entregar. 







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sábado, 25 de setembro de 2010

Quero ser dono de uma paixão bêbada




Fujo de paixões sóbrias. Aquelas que não experimentam insanidades.

Fico bobo em ver a placidez em alguns relacionamentos. Uma paixão feijão-com-arroz, onde um a zero já fica de bom tamanho. Nem frio nem quente, simplesmente estável. Toda paixão nos leva pro céu, mas deveríamos sempre manter um pé no inferno. Sob a bênção de Deus, mas do jeito que o diabo gosta.

Não me simpatizo com paixõezinhas clichês, que não veem sangue na alma. Toda paixão "boa demais pra ser verdade" tem uma nascente obscura. Nenhuma relação está acima do bem e do mal, nenhuma paixão se firma sem alardes, sem incêndios, sem metamorfoses. Toda estabilidade sucumbe em desconfiança.
Suplico pra nunca experimentar uma paixão sem drama.

Discussão pra terminar em suor. Ciúme pra combater a indiferença. Voz alta pra ninguém se fazer de surdo. São as mais necessárias oscilações. É o termômetro da paixão. É essa instabilidade que não nos permite mantermo-nos inertes enquanto o amor passa bem na nossa frente, lascivo, nos chamando pra vivermos toda sua intensidade, e não apenas parte. Atingir a plenitude do amor é fazer dos altos e baixos o ponto forte da relação. É fazer barulho onde se pede silêncio. E rir. Debochar.

Amar é se entregar muito mais do que exigir. É cuidar mais do que bancar o melhor dos planos de saúde. É sentir saudade só porque ela vai na esquina. É colocar-se em risco e arriscar todas as fichas. É amar demais e querer volta. É roer as unhas e se descabelar. É abraçar o excesso e não soltar nunca mais. Porque quem ama faz pouco de cem por cento.

Quero ser dono de uma paixão bêbada. Quero provar o sabor das loucuras sem receio de camisa-de-força e pré julgamentos. Quero tomar um porre de um amor insano e integral e acordar só no dia seguinte, nocauteado pela ressaca, mas como todo bom bebum, querer mais. Sempre. 







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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Crônica do ex-namorado








 Esbarrar com ex é conflitar si próprio.

Ex tem a chave do nosso baú de segredos. É o carteiro das nossas lembranças.

Dizem que felizes são os que não possuem ex. Os mais maldosos falam que qualquer outra qualidade jamais chegará perto dessa. Hoje, o predicado mais enaltecedor é dizer que não tem ex. Os 'sem-ex' estão em alta no mercado, face sua quase extinção. São a certeza de que o constrangimento passará longe.

O ex é a cobaia do amor. É o seu plano de vida adiado, mas também é a sua lembrança tomando forma, pois querendo ou não, ainda sente seu cheiro. É esbarrar com ele na noitada e desejar se afogar naquele copo de caipirinha. É abrir o sorriso mais amarelo e perguntar: 'Tudo bom?' Óbvio que está bom, não poderia estar melhor. Vê-se na obrigação de apresentá-lo para o atual namorado e nota seu sorrisinho saliente, como quem diz: 'Também conheço a tatuagem de borboleta que ela tem na virilha, garotão...'

Ex é um homicida sem culpa no cartório.

Reencontrar com ex é encenar. Quando terminaram, você estava no segundo ano de psicologia, batendo de consultório em consultório atrás de estágio. O cara pergunta se você já se formou, e a resposta não poderia ser outra se não um efusivo 'claro!', inclusive com clínica montada. Ora, o que você iria dizer? A verdade? Que abandonou a faculdade no ano passado e que da vida só sabe dizer que pede pizza por telefone aos domingos? Vai encher a bola dele e dizer que ainda é o dono das suas idealizações para um utópico futuro? O cara perdeu foi um partidão, e sua vida está muito melhor sem ele, nem que apenas por aquela noite. A massagem no ego também pode ser um amontoado de mal-entendidos.

Tem aqueles que fingem não se olharem, e esse é um caso à parte. Ou restou ódio demais ou amor demais. Ou você quer voar no pescoço dele ou você também quer voar no pescoço dele. Fingem que não se viram, mas trocam trezentos e oitenta e quatro olhares de rabo-de-olho durante a noite. Em um instante o ódio pega atalho e vira amor. Se com a ajuda de alguns mojitos, não precisa mais do que um piscar de olhos. Dois extremos têm o mesmo fim como objetivo. É carta manjada e questão de tempo.

Tem ex que perde a tensão e fica o tesão. Vai o coração, mas fica a carne. Explodem sem qualquer responsabilidade um com o outro. Esses são espertos.

Rever o ex é dar o ultimato, nem que o reveja trinta vezes. É amarrar os próprios cadarços um ao outro. É montar uma armadilha contra si próprio e cair quantas vezes for necessário.

Ex é abreviatura de exemplo. É citar na prática o que se aprende em teoria. É trazer à vida o que antes era decoreba e perceber os erros pra não mais cometê-los com o próximo. Ou com ele mesmo.

Porque amar não é afronta. Exemplo e realidade não conhecem diferenças. 






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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Urso de pelúcia.








Sempre tive certo apego às coisas ligadas à minha infância. Talvez por serem atalhos ou detalhes que minha mente não mais traria à tona, ou por derivarem de alguma ocasião especial. Ainda guardo comigo alguns penduricalhos de festinhas de quinze anos e trabalhos da minha época de escola, mas minha maior relíquia veio de longe, lá do outro lado do Altântico.

Portugal, final da década de oitenta. Eu, do alto dos meus três anos de idade, dando um rolé pela terrinha. Minha memória de nada me ofertou para relatar aqui, mas nada muito diferente de um passeio pela Torre de Belém ou pelos castelos de Sintra. Mas foi por lá que encontrei a maior de todas as minhas recordações, que foi amor à primeira vista. Abracei um urso de pelúcia praticamente do meu tamanho e só fui soltar ao chegar ao Brasil.

Eu era daquelas crianças que não tinha qualquer cuidado com brinquedos, praticamente um serial killer dos bonequinhos. Mas com o urso era diferente. Guardo até hoje uma foto da copa do mundo, ele e eu vestidos com a camisa da seleção. Tecnologias, video-games, bonecos, carrinhos, tudo possuía prazo de validade, menos meu urso. E nem precisava.

Mas a vida me deu rumo. Doei boa parte dos meus brinquedos, mas o urso continuava comigo, não mais tão bonito e vistoso como em tempos atrás. Um trapo pra quem olhasse de fora, mas pra mim era a chama da minha infância cultivada da maneira mais preciosa. Um apego um tanto desproposital, mas repleto de afeto. Tinha a impressão que aqueles seus olhos de botão já gastos pelo tempo conseguiam ler minha mente. Gostava de deixá-lo em cima da minha cama, me vigiando. Havia propósito.

Meu urso comprava a minha saudade.

"Matar saudade" é a frase mais descabida que conheço. Saudade é imortal. Quando pensa ter batido as botas, volta com mais intensidade. Nem tento mais matar as minhas saudades. Eu as reciclo, as transformo de passado pra presente. São porta-retratos que saltam à minha mente.

Talvez por nostalgia, talvez por carência, precisamos manter eterno contato com nossas saudades. Precisamos de um elo com nossa infância, para pegarmos carona num abraço apertado naquele seu melhor amigo de pelúcia. A infância nos torna mais humanos. Nos faz enxergar a vida através do paradoxo que é a ingenuidade de uma criança com coração purificado, preparando-se para ser triturado pelo nosso mundo subdesenvolvido. A ingenuidade nos deixa mais próximos de Deus, por isso é coisa de criança. Desaprendi a ser eternamente ingênuo.

Faz um tempo que não vejo meu urso. Deve estar empoeirado, dentro de um caixote qualquer em algum canto da casa, esquecido, aguardando o momento de voltar a enfeitar meu quarto e me fazer criança de novo. 






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domingo, 12 de setembro de 2010

O amor não tem idade





Costumam dizer por aí que o amor não tem idade. Concordo em gênero, número e grau, mas aproveito pra fazer certas ponderações: o amor tem a idade da nossa maturidade, o que passa longe de acompanhar nosso desenvolvimento cronológico, nunca sendo idêntica para duas pessoas.

Gosto de observar um casal de velhinhos. Parece que cada ruga equivale a uma história, uma aventura, alguns daqueles momentos de insanidade que cercam nossos primeiros anos de convivência. Aquele amor à flor da pele, onde a memória torna-se um verdadeiro oráculo de relatos bonitos. Uma saudade gostosa, que em momento algum se confunde com o lamento ou tristeza de um vigor não mais tão intenso, mas que o tempo passou a dividi-lo e compensá-lo com a placidez e a sabedoria de quem sabe amar de todas as maneiras e à toda prova. De quem, lá na frente, não se permitiu abaixar a cabeça com o primeiro tropeço. Nesse caso, a idade teria alguma relevância?

Gosto daqueles romances que começam em aventura, se fazendo valer de que o amor está acima de tudo, e que o mundo foi feito apenas para testemunhá-los. Gosto daqueles desfiles em tapetes vermelhos às quatro da tarde no parque, praia, onde quer que seja, sem medo de ser desvendado, pelo contrário, fazendo questão de se exibir aos quatros ventos. Mas surpreendo-me com os olhares de quem levanta julgamentos, de quem olha com olhos tortos, ainda criando pilares para um tipo de pensamento defasado e incabível, dizendo esta não ser a idade do amor, ou tratar-se de um amor fantasioso ou com base em algum interesse, como se desse amor quem soubesse não fosse apenas os dois.

Gosto de quem se permite gostar, de quem não deu meia-volta, de quem seguiu em frente e falou que é amor e ponto. Acho que a escola nos ensinou errado, porque, a meu ver, “amar” é verbo de ligação, de união, de relação, não necessita complemento, basta-se por si só e não gosta de dar explicação. Não segue nosso calendário cristão. Te presenteará no dia do seu aniversário, bem como a cada manhã que passar ao seu lado. Vai te mostrar que chegou e ficou. Não vai embora.

Amar é não ter que provar nada pra ninguém. Não existe registro, data de nascimento, não coloca sua idade na frente daquela troca de olhares que dará início a uma mudança na sua vida. Não pergunta sua idade quando trata de colocá-los juntos na poltrona do avião ou no banco do ônibus. Não consulta o calendário ao juntar os dois na mesma roda de amigos ou no mesmo happy hour. Não coloca um emaranhado de alguns anos na frente do acaso, pois segue a escala da relevância.

Desprender-se de detalhes. Amar e não pedir RG. Triunfar, porque a idade da maturidade sempre chega, e aí não se pensa duas vezes.

Não carrego documentos. Reviste-me apenas pelo lado de dentro.




 
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sábado, 4 de setembro de 2010

Quando a mulher se apaixona








Dia desses parei pra observar uma mulher apaixonada. Posso afirmar: perdi a noção do tempo.

Ela muda da água pro vinho. Transforma todo o ambiente ao seu redor e tudo nela ganha intensidade. Sorriso, olhos, alma...  algumas tentam esconder - sem muito sucesso. Chega a ser engraçado. Elas falam com um jeito diferente e nos olham de uma forma como se lessem nossos pensamentos. E não duvido que, de fato, consigam.

A mulher apaixonada possui uma dose exagerada de encantos. Não espera pelos nossos sorrisos, se antecipa e os buscam de uma vez, fazendo questão de transformar nossas vidas em um pedaço do céu. Quer um exemplo? Marcou com ela às sete da noite. Oito horas, nada. Já bateu papo com o porteiro, deu seis voltas no quarteirão, resmungou todos os palavrões possíveis. Nada ainda. Mas quando ela surge, uma rainha, a mais bonita de todas as bonitas desse mundo, e tudo pra te agradar, te ver feliz, ela te desmonta em um segundo. Vai dizer que não ficaria o dobro, o triplo do tempo, ou até mesmo um dia inteiro por tão bela recompensa?

As mulheres apaixonadas nos recompensam até quando não percebem.

Observe-a quando acorda. Com aqueles olhos que mal se abriram, cabelo jogado no rosto, ainda com resquícios da maquiagem da noite anterior. Só mesmo elas pra nos darem um presente desses logo pela manhã, o melhor de todos os bom-dia. Não satisfeitas, correm pro banheiro e voltam meia hora depois, lindas como havia de ser. Mas pra nós, não mais que antes.

Porém eu tenho lá as minhas conspirações sobre uma mulher apaixonada. Sei lá, algo que os homens não saibam, como se fosse um acordo entre elas e Deus. Elas têm algum poder, magia, encanto divino, algo que nos faz perder completamente a razão perante um simples e avassalador sorriso. Como se fossem espiãs, espiãs de amor, com o único objetivo de nos tornar os mais realizados desse mundo, e em troca de nada que nossos olhos, olhos de homens, simples mortais, consigam ver. E ficamos assim, estáticos, feito bobos.

Acho que a mulher apaixonada segue uma escala. Nos faz perceber que é feita de amor dos pés à cabeça até corroborarmos esse amor em casamento perante Deus, aquele seu comparsa, pra que assim possamos dar início à plenitude de um amor consumado, ou seja, filhos. A partir daí reparamos que ela escondia o jogo, nos revelando o único sentimento maior que o amor de mulher, e é nessa hora que seu acordo com Deus tem sua apoteose: a mulher apaixonada vira mãe.


São amigas, irmãs, esposas e amantes. Ao mesmo tempo. Mas acima de tudo, são mulheres. Nos atos mais amorosos e mais instintivos - há de haver diferença? - ainda são mulheres. Que se entregam às suas verdades sem medidor de consequências. Que oferecem colo, tornando leve com pena, todo o peso de um amor. Bem... sorte dos homens. Com uma mistura concentrada de responsabilidade. Ainda assim, sorte.  

E dessa maneira descobri que, em vez de observar uma mulher apaixonada, é muito mais válido torná-la apaixonada.

Apaixone uma mulher...







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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Acabar ou recomeçar








Foi observando as pessoas ao meu redor, juntando as reações de um com as emoções de outro, que cheguei a certas conclusões. O desatino dela refletindo na felicidade dele. Só me faltou a camisa-de-força, afinal sistematizar reações para o término de uma relação é ou não é loucura?

Cito alguns exemplos. O entusiasmo de um, brindando à 'liberdade' e comprando passagem apenas de ida para a tristeza, contrastava com as lágrimas e a sensação de um iminente fim que o outro sentia. Ambos em uma mesma história e com o mesmo enredo, entretanto com final absolutamente diferente. Como pode? Era ou não era amor? Ou era amor demais pra um e amor teatral pra outro? 

Vamos lá, você é sentimental, chora em casamentos, réveillon, lendo os textos do Caio  Fernando e assistindo a filmes de comédia romântica. Onde está escrito que tens que gargalhar, virar meia dúzia de doses de tequila e agarrar o primeiro que passar na sua frente? O relacionamento pra ti não era brincadeira, amou como nunca e projetou eternidade, onde mora o motivo de risada? Reação outra não poderia ser senão se entregar e torcer pra que isso passe o mais rapidamente possível.

Mas você também amou, e não amou menos. Continua com os pensamentos ainda lá atrás. Deixa fluir um sorriso quando afirma preferir a companhia dele no lugar das noites em claro por aí afora. Mas vai adiantar se trancar em seu quarto, no seu mundinho, escondida pro resto de tudo? Vai levar o que senão martírio? Jovem, inteligente, bonita... o mundo é seu, vá e tome conta dele! Onde mora o pecado em querer viver?

São visões diferentes e querer igualá-las é utopia. Difícil generalizar, porque amor não é receita de bolo, não tem prazo de validade e não acaba simplesmente por acabar. Quer saber? Antes fosse. Antes todos tendo a certeza de que a dor e o medo são passageiros e que dali a algum tempo estaríamos prontos novamente. Antes fosse, mas não é. O amor nunca acaba pelo mesmo motivo.

A verdade é que o amor acaba por aí. E como o mestre Paulo Mendes Campos eternizou em sua crônica "O amor acaba": "em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."







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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Brincadeiras do destino






Era o cenário perfeito. Hora certa, restaurante cuidadosamente escolhido, tudo como havia de ser. Você com seu melhor modelo, coisa mais linda de imaginar. Eu, meio que aos trancos e barrancos, fazendo de tudo pra não passar vergonha diante de tanta beleza. Contei meses, dias e horas pra que o momento chegasse. E porque não chegou?

Brincadeiras do destino, não vejo outra resposta. Estranho deixarmos tais oportunidades passarem em branco, com direito a um "antes" magnífico, repleto de planos com um quê de ansiedade, e um "depois" escuro, vazio, indiferente, como se o êxtase que precedeu não houvesse ocorrido. 

Você tinha o telefone, o e-mail, endereço, local de trabalho e sinal de fumaça, mas fez questão de deixar tudo como se houvesse nada. Tudo bem, decerto que esta não foi a última pessoa do mundo, e que fingir carinho por alguém é lastimável, mas duvido que não havia o mínimo de resquício afetivo que uma boa conversa e um sorriso escancarado de sinceridade não resolvesse, ainda que não fosse de bate-pronto. Agora fica aí como quem só faz dizer que o amor te trancou num quarto escuro e que dali não vê saída, enquanto ao  redor não falta quem possua a chave pra te levar lá pra cima, lá pras nuvens.

Você esquece de uma só vez, ligeira, que o seu mundo poderia se expandir se sua resposta fosse qualquer outra diferente de um "não". Vá lá que não desse nada certo, o cara fosse um sacana, ou que se arrependesse por ele ter mau-hálito, chulé, usar meia rasgada, que fosse, mas que deixemos de lado esse lance de adivinhação. Às vezes, dar a cara a tapa não significa loucura, e sim uma chance a si mesma.

Senti falta do que nunca existiu, pela primeira e última vez. 






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sábado, 24 de julho de 2010

Definições sobre uma mulher charmosa




Dentre todas as características existentes em uma mulher, destaco as que mais me chamam atenção: simpatia, inteligência e mais meia-dúzia de clichês. Claro, não me farei de santo aqui dizendo que a parte física pouco ou nada importa, pelo contrário, mas se pudermos juntar ambos atributos, melhor será. Mas deixando de lado as qualidades bonitinhas e aquelas julgadas machistas para alguns, usaria apenas uma palavra pra chegar  quase à perfeição da definição feminina: charme.

E como definir uma mulher charmosa?

A ideia é ampla e eu mesmo não consegui elucidar logo de cara. Podemos dar o primeiro passo se levarmos em consideração o significado da palavra charme, que equivale a encanto e fascinação. Pois bem, qual homem não procura uma mulher que o encante e  fascine? Genérico demais. Mas pra chegarmos a esses dois pontos, é necessário observarmos o que está bem diante de nós.

A mulher charmosa é segura de si. Olha-se no espelho e deixa transparecer um leve sorriso, por mais que suas medidas não sejam convencionais a um estereótipo de beleza, sabe que possui qualidades suficientes pra suprir - e com larga vantagem - essa ditadura da magreza. E mesmo que ela tenha, digamos, tudo no lugar, possui predicados suficientes para chamar atenção por outras mil maneiras que não seja apenas pela parte física, o que reflete em uma beleza transparente, natural e sem artifícios.

Ela é todo um conjunto de nuances. Veste-se da forma que mais a agrada, seja uma minissaia com um generoso decote ou uma calça jeans clara com um topzinho básico. Sabe que há momentos e momentos, e que seu encantamento independe da vestimenta. Além disso, sua sensualidade mais natural e instintiva estará presente em quaisquer modelitos, e em iguais proporções.


Se essas mulheres guardam algum segredo, este só pode estar escondido nos detalhes mais simples. A maneira como elas falam é diferente. Independente do sotaque. Vai da mais arretada pronúncia nordestina até o tri-legal lá do Sul. O jeito delas nos olharem, também. Seja a olho nu ou com um delicado óculos de grau. Seja usando um Prada de três zeros ou uma réplica barata de um Ray Ban Aviator. O jeito de sorrir, então, esse nem se fala. É exagero de charme. Claro, falo aqui do mais espontâneo sorriso, sem cálculos, sem ensaios, sem medo de se mostrar, pelo contrário, escancarando os belos dentes ou até mesmo um gracioso aparelho. 


Mas é preciso dizer que há um toque a mais na mulher charmosa. Ela sabe da importância de ser sempre ela mesma. Conversa sobre moda, política, séries de tevê e literatura. Não se incomoda em falar uns palavrões de vez em quando, o que não diminui sua delicadeza em absolutamente nada. Lê bons livros, mas não abre mão de uma novela. Passa em frente a uma loja de passarinhos e tem vontade de abrir todas aquelas gaiolas e depois sair correndo. Quer salvar o mundo, mas não sabe como. De repente até saiba, e o seu charme é apenas uma maneira de nos convencer a isso. Nunca esquece de ser humana em demasia.

 
A mulher charmosa foi uma grande sacada de Deus. Tal predicado pode estar escondido bem lá no fundo, ou às vezes mais que escancarado, e algumas mulheres nem perceberem. É algo que carregarão consigo durante toda a vida, pois quem é charmosa aos vinte, também é charmosa aos setenta, e com mais intensidade. O charme é inerente à natureza dessas mulheres.

A mulher charmosa tem um quê a mais. Um quê de sei lá o quê.


E, acreditem, isso já explica tudo.




Crônica publicada  no site Superela


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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Algumas verdades sobre términos e recomeços






O fim das expectativas, o término do enlace, a interrupção dos dias de amanhã. Olhos marejados, futuro incerto e lamentos do passado. Há toda uma vontade de não enxergar, de não querer acreditar, mas a realidade é bem clara: o namoro chegou ao final.

Término de namoro é queda livre. O mundo parece girar ao contrário e em câmera lenta, e aquele seu travesseiro velho, que trata de secar suas babas e lágrimas, passa a ser seu melhor amigo e maior confidente. As mais fortes resgatam energia e enchem a cara em algum bar ou mesmo trancadas no quarto, mas, no dia seguinte, retornam à estaca zero e com o dobro da intensidade. Terminar o namoro é sentir-se perdida, desmotivada, afinal, você tinha planos com aquela pessoa e planos a longo ou perpétuo prazos.

Namorar aguardando o término, me desculpe, não é namoro. Quem namora faz planos para a eternidade, mesmo que não conte ao outro e isso independe da idade. Quem namora aos quinze almeja fugir com o amado mediante aquela desastrosa promoção que o pai recebeu pra trabalhar em outro Estado. Quem namora aos vinte e cinco já folheia os classificados sonhando com o primeiro imóvel, e os mais apressadinhos já escolhem os padrinhos. Quem namora aos trinta e cinco passa boa parte do dia pensando na melhor forma de conduzir a convivência do namorado com seu filho ciumento. Namorar é se imaginar já bem velhinho, naquele almoço de domingo, cercado de filhos, netos e bisnetos. E quando isso não ocorre, é interrompido no meio do caminho, não há dúvidas: o sentimento de tragédia é certo.

Você muda o número do celular, mas olha umas setenta e quatro vezes ao dia, aguardando uma ligação dele, nem que seja uma mensagem desaforada. Qualquer casal caminhando de mãos dadas lembra vocês dois. Se ouvir aquela música que tocava no dia do primeiro beijo, danou-se. Tudo não passa da vontade de crer que o amor não se pôs, por mais jogo duro que seja. Olhar pra trás e emendar o passado com o futuro, não querer dizer que tudo aquilo foi em vão, que seus planos não deram certo.

Mas a verdade é que o amor é sarcasmo. Sabe que as próximas nuvens trarão não apenas trovoadas. Não duvida que o acaso pode fazer suas vontades. Esconde o relógio e os calendários e faz pouco das horas e minutos. O tempo também sabe ser o melhor amigo.

Novos ventos soprarão as esperanças de uma outra chance a si mesma. Isso é naturalmente lindo e demasiadamente humano, oferecer-se novamente às esquinas, aos pontos de ônibus, aos passeios com os amigos, e assim fazer questão de ceder passagem ao acaso, rir para as casualidades que surgirem, pois a vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida, salve Vinícius.

É jamais esquecer que a fria escuridão cede lugar ao sol. Encontrar-se novamente consigo mesma, aprender com os erros e ratificar as qualidades. Abrir as portas e as janelas da vida, deixar que a brisa de uma nova oportunidade aponte os rumos, esbarrar com o destino na primeira esquina e perceber que, no fim, tudo se fez recomeço.





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terça-feira, 13 de julho de 2010

A mulher que não queria amar








Lembro quando ela disse ser controladora de suas emoções. Dei aquela risada amarela, aguardando que desmentisse, mas fez questão de reafirmar. Tudo bem, cada louco com sua loucura, mas ela foi além, disse que controla sua vontade de amar, aqui, na palma da mão.

Tratava-se de uma bela mulher. Ouvia Adriana Calcanhoto, Djavan, Maria Gadú e Marisa Monte, mas sabia a hora certa de curtir um bom samba e - por que não? - até um funk. Cinéfila de carteirinha, os filmes de Almodóvar eram sua inspiração, mas também apreciava o bom jorra-sangue de Tarantino, os clássicos de Kubrick e Polanski e as superproduções de Spielberg. Sou obrigado a dizer que, do "alto" de seus vinte e poucos anos, é uma das pessoas mais seguras que conheci.

Mas como ninguém é perfeito, não demorei muito pra perceber seu ponto fraco: relacionamentos. Pretendentes havia, e não eram poucos. Possuía predicados suficientes pra chamar atenção de qualquer homem. Poucas vezes passava o sábado a noite desacompanhada, mas raramente ultrapassava esse limite imposto por ela mesma. Dizia que não era o momento, não queria se apegar a ninguém, havia coisas mais importantes.

Que mulher é essa que tem o dom (ou a chaga?) de fazer o amor de fantoche? Como alguém consegue controlar algo tão inesperado e incondicional? Dizia pro amor voltar amanhã, na semana que vem, ou se possível só em 2086. Ela seguia o caminho inverso e bajulava-se por isso. Não era minha intenção, e sei que se meter em vida alheia não é coisa que se faça, mas não tinha jeito: já estava envolvido.

Tentei explicar o quão adorável é dar-se uma chance, deixar que as vontades e o acaso tomem a frente da situação, que nos conduza, mas de maneira vagarosa pra que possamos aproveitar cada momento, cada segundo que nos proporcionam. Perceber que aquele esboço de sorriso ao reparar sua chegada já vale as duas horas enfurnado dentro daquele ônibus, que junto àquela pessoa dá-se a volta ao mundo quantas vezes se quer. Disse que amor não era se apegar à primeira pessoa que surgir, mas que se for de maneira natural e vier a acontecer, que dê licença e abra passagem. Afirmei que autoconfiança é essencial, mas que em excesso pode virar egocentrismo. Disse que o amor é o melhor da vida, porque, da maneira mais simples do mundo,  nos faz feliz.

Gostaria de dizer o contrário, mas seria ilusão. Ela não cedeu e foi além. Quis apostar comigo que teria amor quando quisesse. Abaixei a cabeça, recusei sua proposta e, conclusivo, me rendi. Ela inverteu os papéis. Que o melhor e por vezes mais cruel professor - o tempo, trate de mostrá-la que amor não é meio, é fim. Não é aposta. É recompensa.






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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Ensaio para o amor






Gosto de observar as etapas de desenvolvimento de . Aqueles que ainda estão se criando, onde tudo ainda resume-se a sorrisos escancarados, onde o frio na barriga ainda é mais presente que as clássicas DR's. Sim o nascimento do amor, aquelas descobertas, o desejo de alcançar o infinito quando ao lado do recém-amado... Não há dúvidas de que o começo é realmente mágico. Mas remeto-me a um pouquinho antes, quando o amor não passava de um simples flerte.

O flerte é o ensaio pro amor. Serve como um amistoso, pra treinar e estar preparado quando for pra valer. É o início do início, onde nada ainda são flores e nada ainda são trevas. É o momento em que você conhece a pessoa, e digo conhecer em sentido estrito. Você confia, mas sempre com um pé atrás. Você gosta, não há dúvidas, mas passa um pente-fino no facebook e no Instagram dele, ainda que apenas no modo  stalker . Você acredita, e essa, sem sombra de dúvidas, é a parte mais cômica.

Exemplo: um cara puxa assunto contigo numa festa, pergunta seu nome, seu whatsapp, tenta acertar a marca do seu perfume... aquele papo que você conhece melhor que eu. O cara mostra querer saber sobre você, mas quando tu não responde com uma simples e bela ignorada, conversa monossilabicamente. Ele está ali, praticamente um gentleman, a reencarnação de Don Juan, mas você não dá bola, só veio pra dançar, tem namorado, tem que cuidar da amiga bêbada, coisa e tal. É um belo exemplo do teatro do flerte: um homem se fazendo de interessado pra uma mulher que banca a difícil.

Cantaria Nazi, em alguma Rádio Cidade desse Brasil afora: Esse flerte é um flerte fatal...

Isso ocorre também no trabalho, no ponto de ônibus, no velório... O cara, com receio de uma iminente rejeição, apresenta-se como o artilheiro da Champions League Asiática pelo Shandong Luneng, neto de Xeique, ator de Malhação e vencedor do torneio de salto-triplo do clube do bairro. Já a mulher, com intuito de se livrar daquele mala que mais cospe cerveja no seu rosto do que qualquer outra coisa, arruma um noivado com o campeão interestelar de caratê, com o chefe da boca-de-fumo ou com um Hannibal da vida. A verdade, meus caros, é muita clara: não se fazem mais mentiras como antigamente.

Felizes são aqueles que se permitem transcender essa etapa. Permitir-se ao amor é descer do salto, é olhar na mesma altura. Por trás daquele cara inseguro e insistente pode estar a pessoa que lhe amará até seus últimos minutos. É sabido que, transgredindo a garota de poucas palavras, que vira a cara quando passa, que finge um olhar de desdém, pode haver alguém que dará amor até de olhos fechados. Dizer sim pra esse início é abrir uma brecha, e desistir é assinar o atestado de solidão. Curtir o nascimento do amor é dadivoso, mas antes é necessário que se passe pelo período de gravidez, com direito a todas as intempéries.

A regra é instintiva: pra presenciarmos o nascimento amor, é necessário que o façamos.

Faça amor... 






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