Teu colo

Ainda lembro. A grama verde oferecia passagem. Lembro do balé das folhas junto ao vento. Do suicídio das flores quando você passou. Dizem que as flores são invejosas, e naquela noite, haviam perdido o reinado.

Apenas palavras

Carregar em si o peso das palavras nunca foi remédio para a escuridão na linguagem.

A madrugada mais longa

Não, não havíamos planejado nada. Não prometemos confidências. Não oferecemos o branco das nuvens. Apenas sorrisos como quem diz ser amanhã.

Quando

. Quando as luzes não mostrarem os atalhos Quando os livros recolherem suas letras Quando os segredos se tornarem cochichos Quando o riso virar castigo...

Falsas mágoas

Relacionamentos nos obrigam a tomar decisões.Sensatas ou abruptas, no calor do momento ou na serenidade do sofá. Seja pra decidir a poltrona do cinema ou o hiato devido a proposta de trabalho no exterior. O amor nos testa com seu aglomerado de decisões.

sábado, 4 de março de 2017

Até onde vale a pena correr atrás de um amor?





Até onde vale a pena correr atrás de um amor?

Até onde é possível traçarmos planos pra que a pessoa amada nos enxergue como gostaríamos?

Qual seria o momento exato de olharmos pra nós mesmos e dizermos que ela ou ele está em outra e nada mais podemos fazer?

Às vezes temos a impressão de que a outra pessoa pode se apaixonar por nós apenas pelos dois gostarem das mesmas bandas ou dos mesmos filmes, das mesmas festas ou dos mesmos potes de sorvete.

Tentamos manter a pessoa amada perto de nós perdendo noites buscando descobrir seus gostos pelo facebook, pelo Instagram ou por qualquer indireta fantasiosa que recebamos. Imaginamos que um sorriso educado pode ser uma deixa pra um convite ao cinema no sábado, que um abraço carinhoso pode ser algo muito perto de uma declaração de amor à la “dez coisas que eu odeio em você”.

Ora, é nítido que o amor é um dos sentimentos mais bonitos que podemos ter, que estar apaixonado significa enxergar o mundo de uma forma mais bonita, coisa e tal. Mas a verdade é uma só. O amor é difícil.

Sim, é difícil, Difícil pra cacete. Já imaginou se todos as paixões fossem recíprocas? Claro que haveria suas vantagens, mas sei lá, talvez vivêssemos algo perto de uma monotonia amorosa, onde o amor seria tão simples que perderia sua essência.

Por vezes é normal acharmos, instintivamente, que as coisas podem ser assim. Então pensamos: “Nós dois gostamos de sushi, de Arctic Monkeys, preferimos barzinhos a baladas e nunca fomos ao Cristo Redentor apesar de moramos no Rio de Janeiro. Se isso não é a verdadeira definição de ‘almas gêmeas’, o que mais seria?”

E assim nos enganamos. E feio.

O amor não precisa ser igual. Mais: o amor quase nunca é igual.

É complicado admitir, mas é preciso. A pessoa não quer. É exatamente isso. Ela simplesmente não quer. Quem quer, meu amigo, dá um jeito. Não inventa que trabalhou até tarde ou que não curte beber dia de semana. Não diz que vocês estão longe demais quando apenas um bairro os separa. Não inventa que precisa levar o gato ao veterinário exatamente na hora da sessão de cinema.

Quem quer de verdade pega dois ônibus a uma da manhã, vai  a show de rock quando preferiria um barzinho e um violão, assiste a filmes de terror quando na verdade morre de medo de filmes desse gênero. E ainda tem até uma boa desculpa pra assistirem abraçados.

E no fim das contas, acredite. Os dois se completam mais do que meros gostos em comum. Muito mais.

 A questão é que se permitir a esse sentimento é uma virtude, depositar em alguém seus sentimentos mais verdadeiros é buscar também a sua felicidade, mas nem sempre as coisas andarão como desejamos. Nem sempre haverá a tão bonita e buscada reciprocidade, e isso é mais comum do que imaginamos.

O segredo é admitir que ainda não é essa a pessoa que dará um sentido novo na sua vida, e isso não é uma coisa ruim, afinal o amor precisa ser, antes de tudo, verdadeiro. Nessas horas o tempo é o melhor remédio,  tratará de cicatrizar possíveis feridas e, mais cedo ou mais tarde, cruzar seus rumos com alguém que curta macarronadas ou frutos do mar, praia ou cachoeira, canções líricas ou rocks pesados, não importa, afinal tudo soara de forma bonita para os dois.




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Sobre quando olho pra ti





Enquanto eu puder te olhar terei a certeza de que viver vale a pena.

Entenderei que Deus criou os humanos apenas pra que se olhem de forma bonita um pro outro, e a multiplicação das espécies é apenas uma boa consequência dessa forma bonita de se olhar.

Cruzo contigo nos corredores e esboço um aceno simples, mas te conto toda a minha vida nesse simples segundo em que trocamos olhares.

Se o destino se resumisse a algumas escolhas, eu escolheria te olhar por toda uma vida, e por toda essa vida eu me encantaria com o perfume dessas suas pupilas castanhas.

O que seria o amor senão um completo e inexplicável calafrio de quando dois olhares se cruzam e logo de cara se reconhecem?

Nada seria, eles afirmam.

Às vezes tenho a impressão de que você lê meus sorrisos e por isso retribui, e se nesse exato momento um asteroide de proporções quase continentais e invisível à vista da ciência se chocasse com o planeta, eu diria, sereno como nunca antes: valeu pra cacete ter vivido até agora.

Abraço-te como quem abriga o último suspiro de vida, como quem depende dos seus seios ao meu corpo pra continuar a respirar, há apenas um sol acima mas é como se fossem tantos, e assim eu desvendo que seu gozo também faz parte de mim.

Nesse momento eu te enxergo como quem enxerga o sentido da vida, e  sua alma está nua. Eu desenho em seus olhos a poesia mais triste e bonita, e sua vergonha está nua. Eu respiro seu corpo como cocaína, e sua dor está nua. Eu te amo como quem ama da forma mais sagrada e mais maldita, e você está nua.

Aponto para o céu e te mostro estrelas, e no meio de tantas, escolhemos uma pra batizá-la como nossa. Nessa hora meus olhos, meu corpo e  minha vida se entrelaçam a ti

Você desenha palavras em meus lábios e antes que as sussurre eu te respondo que sim, que as aceito. Que te aceito. Você não diz nada mas é como se me dissesse tudo. E sorri.





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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Da vida só peço você





Da vida não peço muito, apenas assistir a algum filme do Lars Von Trier largado contigo no sofá de casa num domingo à tarde quase noite com meia-dúzia de pãezinhos de queijo um pouco torrados e uma coca-cola com gelo e limão, pouco se lixando que no dia seguinte será segunda-feira e que o trânsito estará o velho caos de sempre.  

Da vida não peço muito, apenas te olhar acordando com aquela cara de ressaca, levando uns dois ou três segundos pra lembrar de onde teríamos ido na noite anterior, tentar abrir os olhos sem muito sucesso, perguntar pra mim a hora e eu dizer que já passou das onze e você resmungar tão docemente que tá cedo pra cacete e voltar a dormir.

Da vida não peço muito, apenas sair contigo pra tomar um sorvete na praça mas cair uma chuva daquelas bem na hora que abrirmos a porta pra sair, e então ficarmos olhando o temporal pela janela meio frustrados mas achando graça da nossa ideia de tomar sorvete debaixo de um temporal, e rir muito só de imaginar nós dois alagados naquela praça, abraçados, encharcados e com um sorvete na mão. 

Da vida não peço muito, apenas deitar contigo em alguma grama bem rasteira e bem bonita em algum lugar desses bem bonitos também, num fim de tarde, fazer um pique-nique pra relembrar a época de infância, e você rir e me sacanear porque em vez de sucos eu tenha resolvido beber cerveja. "Onde já se viu tomar cerveja comendo comidinhas de pique nique" e mesmo assim você beber comigo brindando e olhando as estrelas que já começam a acender o céu. 

Da vida não peço muito, apenas tomar banho de cachoeira com você em algum lugar bastante isolado lá perto da divisa entre Rio e Minas, você pensar umas cinco vezes se entra naquela àgua geladíssima e eu te dizer que é gelado só no início e que logo acostuma, você pegar na minha mão, pular na água e bater os dentes brrrrr que frio mas logo se adaptar, parar debaixo da queda da cachoeira e ali pensar na vida enquanto aceno pra ti e ganho um sorriso de retribuição. 

Da vida não peço muito, apenas beber um capuccino em algum desses cafés pelo centro simplesmente pra podermos olhar um pro outro de forma que todos os ponteiros do universo parem nesse momento, e então termos certeza de que o destino nos escolheu pra sermos um do outro e que cumprir esse desejo é o que realmente pode nos fazer felizes. E fará.

Da vida não peço muito. Apenas tudo. Apenas você. 




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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

E se o amor não fosse cercado de expectativas e dúvidas?





E se eu não tivesse quatro provas na semana seguinte e conseguisse ir àquela festa que você disse que iria?

E se eu tivesse viajado pra sua cidade naquele feriado que você me convidou?

E se eu não tivesse discutido com você por um motivo que nem eu sei ao certo se é verdadeiro?

E se? E se? E se?

Eis aí a frase mais mais fantasiosa - e dolorosa - num amor que não existiu. Ou existiu, mas ficou pelo caminho. 

Em tempos de aplicativos de encontros, de "te beijei hoje, amanhã não te conheço", de relacões fast-food e de, como diria o mestre Xico Sá, relacionamentos "fala sério", é compreensível nos flagrar recorrendo até às equações matemáticas pra resolvermos questões amorosas. 

Você está saindo com um cara legal, bom papo, coisa e tal. Tudo caminha pra um relacionamento duradouro, e eu sei que você já imaginou uma nababesca viagem pras Maldivas junto dele, pensou no momento de apresentar pra família e riu sozinha imaginando a primeira saída com os outros casais de amigos. 

E então vocês marcam de se encontrar naquele barzinho perto de casa, aquele que já se tornou o "de sempre", e tudo corre às mil-maravilhas. 

Mas no dia seguinte ele não te manda mensagem. Nem no outro, Nem no outro. 

Então você resolve quebrar o silêncio e manda um whatsapp. Ele demora um dia inteiro pra responder. É notório que a conversa não é mais a mesma. Ele está mais seco. Mais direto. Você propõe um cinema. Ele diz que vai ficar até tarde no trabalho. "Se der, outro dia a gente marca. Agora preciso trabalhar. Bjs". E assim, aos poucos, aquele encontro começa a se desenhar como o último de vocês dois. 

Danou-se.  

O que aconteceu? O que eu fiz? O que eu falei? 

E se eu não tivesse falado de religião? E se eu tivesse acompanhado ele no chope? Será que foi aquela discussãozinha boba na noite anterior?

E tome dúvidas em cima de dúvidas. Uma vontade agoniante de voltar àquele dia e refazer o detalhezinho que teria culminado no afastamento. 

Como se isso fosse adiantar alguma coisa. 

Amor nada mais é que destino. E destino nada mais é que um aglomerado de coincidências propositadas. Propositadas por sei lá quem, por Afrodite, Eros, anjo da guarda, teorias da conspiração... mas o certo é que há um quê e um porquê por trás de toda relação que se sustenta, que ultrapassa as briguinhas cotidianas, que consegue se firmar e perceber que, de fato, é amor. 

Tudo bem, eu sei que na teoria isso é lindo, e que na prática é necessário passar por cima de certas vontades e orgulhos, mas qual relacionamento não é assim? Qual relação não é sustentada pelo equilíbrio? Defeitos, brigas e contratempos ocorrerão aos montes, e se isso for motivo pra um dois dois desistir logo de cara, pode acreditar: não era pra ser. 

Decerto que a expectativa toma conta da gente quando notamos que algo pode dar certo, e no amor essa dose vem numa quantidade consideravelmente maior. E quando algo não caminha na direção que imaginamos, quando aquilo em que depositamos nossos anseios não dá certo, temos a cruel mania de imaginar como seria se fôssemos perfeitos e fizéssemos exatamente o que o outro deseja. 

Como se fosse possível viver numa redoma de um amor-perfeito. 

Assim são os relacionamentos. São feitos de tentativas. São construídos com confiança e afeto, por ele e por si mesma, primordialmente. E a única coisa que se exige em troca é o coração aberto. Estar disposta a encarar esses sentimentos humanamente bonitos e imperfeitos. Saber que existe alguém e que está por aí, em algum canto, um cara comum como tantos, que te aceitará e te chamará de "meu bem" na frente de tudo e de todos. E quando menos esperar, algo aí dentro perguntará pra ti: "e se você resolvesse viver esse amor pra vida inteira?". 





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sábado, 29 de outubro de 2016

A história do casal mais feliz do "facebook", ou não






Colocar "namorando" em redes sociais é complicado, ela diz. Ele concorda. A boa desculpa de que os invejosos ficarão de olho grande sempre cola. "Isso interessa apenas pra nós dois", clichêzinho da verdade. Você tem certeza de que é isso mesmo? Você realmente quer?", um pergunta ao outro. Mentira, não perguntam. Mas gostariam de perguntar. Gostariam muito.


Mudanças no status de relacionamento nas redes sociais não é brincadeira. Ganhou um nível de importância capaz de mover montanhas. Páreo a páreo com a troca de alianças.


"Bem, entre continuar sendo o/a único/a solteiro/a da galera por não sei mais quanto tempo,ou tentar construir algo, de repente essa segunda opção seja mais válida. Vamos tentar e ver no que dá."


Eis então que resolvem alterar o status. Tá lá pra quem quiser ver:  "em um relacionamento sério" no "facebook".


Fotinho, abraçados, do dia que se conheceram. Poema do Zack Magiezi. Duzentas curtidas. Quarenta comentários. "Felicidades!" "Eu já sabia!" "Lindo casal!" "s2"


Agora a parada ficou séria.


Primeiras semanas: vídeo do onze vinte. "Lembrei de você, mô.", Montagem com fotos de língua pra fora e fazendo caretas. "Até nas loucuras ela me completa". Trecho do Los Hermanos. E até quem me vê lendo o jornal ma fila do pão, sabe que eu te encontrei...


Acho que já vi esse filme.


Primeiro dia dos namorados juntos. Jantar a dois. Selfie com o buquê de flores. Selfie com o nome do restaurante (caro) ao fundo. Selfie mostrando o prato chique. Procura por "frases de amor" no Google. CTRL C CTRL V. Curtidas. Mais curtidas.


Carnaval com outros casais no sítio do tio de um dos amigos. Foto da tulipa cheia com a garrafa de cerveja artesanal ao lado. "Que comecem os trabalhos! Se sentindo: Feliz; Em: Campos do Jordão.


Discussões. Postagens indiretas em forma de música do Jorge e Matheus. Indiretas com um trecho do Carpinejar. Indiretas com algum texto de autoajuda achado na internet com a assinatura do Caio Fernando Abreu ou do Veríssimo. Desbloqueia antigos contatos no Messenger.


Reconciliação. Selfie no restaurante do primeiro encontro. Hashtag teamo. Hashtag amormeu. Hashtag amorverdadeiro. Hashtag mylove. Cento e cinquenta curtidas. "Sempre soube que vcs se entenderiam =)"


Dias depois...


Ele: Festa com os amigos. "Deixa que eu bato a foto. Não me marca, senão ela vai descobrir e eu tô ferrado!"


Ela: Foto sorridente com as amigas. "Ladies Night!"


Dias passam, até que numa manhã qualquer, ao abrir o "facebook":


"Vocês estão completando um ano de amizade no "facebook"! Compartilhe esse momento!"


E aparece aquela exata foto do dia que se conheceram, abraçados, com poema do Zack Magiezi, com tantas curtidas e comentários felizes.


Um ano? Já ?  Ela se espanta.


Um ano de quê? Ele se pergunta.

Desce a barra de rolagem e curte a foto do/a antigo/a peguete. 



Nenhum dos dois compartilhou.








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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Eu te enxergo perto, e você tão longe





Você levanta a sobrancelha quando passa por mim, e o nosso mundo é tão lindo.

É assim que você passou a me dirigir palavras. Palavras de sobrancelhas, palavras de olhos fechados, palavras que silenciam-me. 

Olhe nos meus olhos por eternos cinco segundos e diga que nada mais te vem à mente, pra que assim eu vá embora de ti de uma vez. 

Olhe nos meu olhos por eternos cinco segundos e diga que a minha falta te sufoca como quem toma, numa só, meia caixa de tarja-preta, e assim passaremos a entender o real sentido da vida. 

Olhe nos meus olhos. 

A partir do momento que minha presença for pra ti nada além de mera leviandade, esse livro se fechará. Esse livro de nossas palavras soltas e espalhadas sem qualquer regramento sumirá do mundo. 

O amor pode ser tudo menos um serviçal das vontades alheias. 

Eu tinha você e não fazia ideia de que na verdade eu não tinha nem a mim mesmo. Eu não tinha nem sequer o mínimo resquício de mim mesmo. 

E eu não sei o que diabos alguém pode ter quando não tem nem a si mesmo. 

Diga que você me encontrará e encontraremos a vida. 

Só nos falta perceber que a reciprocidade é a mãe de todas as verdades, e ressuscitaremos no peito do outro. 

Sim, eu falo de reciprocidade, falo de corações abertos, de sorrisos que ganham o mundo, de defeitos que não se escondem e de discos do Nirvana. 

Reciprocidade gera reciprocidade. 

Não sei se é ironia ou se Deus, por propósitos ou eufemismos, criou esse mundo assim, tão pequeno, simplesmente pra bastar eu fechar os olhos e te enxergar cada vez mais perto. 

Eu te enxergo perto, e você tão longe. 

Eu fecho os olhos e te enxergo perto, e você é tão longe.

Deus cochichou em meus olhos propósitos e eufemismos. 

Eu olho pra trás quando passo por ti, e o nosso mundo é tão lindo. 





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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Hoje te escrevo, amanhã te odiarei




Você era a mulher mais linda que existia dentro de mim.

Até eu escondê-la em meu canto mais remoto.

Foi quando descobri que poderia omiti-la até em meus mais inóspitos excessos.

Menos debaixo de meus olhos.

Você, inutilmente, se esforçava pra nadar em minhas lágrimas.

E eu a olhava como quem não tem qualquer alternativa.

Restou-me afogá-la ainda mais.

Afogá-la das sobras de mim.


Você padece naufragada em meu mar salgado. 

Meus olhos fingem não te ver.

Enxergam qualquer uma, mas não você.

Seus suspiros ofegantes escorrem de minhas retinas.

Sua boca te embriaga com o que me dói.

Do alto de tua ironia, es um cisco encravado em mim.


Tua resistência vai se esgotando.

E agora, já sem ar, solto de vez da tua mão.

Você se afoga em minha profundez.

E toda aquela cena ganha vida em meu lembrar.

Enxergo-te, novamente, a mais linda de todas

A mais puta de todas.

A mais profunda de todas.

Seja bem-vinda ao meu último déja-vu.

Seja bem-vinda, meu amor.


Hoje te escrevo. Amanhã te odiarei.






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